sexta-feira, 29 de março de 2013

Em que é que a Renamo confia, Senhor?

Não irei dar a resposta, senão uma sucessão de questionamentos. Neste tempo pascal tenho minha inquietação para que o Senhor, Criador do Céu e da Terra me alumie o mistério. O Canal de Moçambique, edição de 29 de Março de 2013, escreveu que foram «Eleitos membros da CNE sem a Renamo». Entretanto, vem o SG da perdiz avisar que "A Renamo não vai aceitar que nenhum moçambicano se movimente para preparar o processo eleitoral". Por isso pergunto: em que é que ela confia? Vejo que corremos risco de fechar os olhos face a verdades dolorosas, porque o silêncio dos demais cavalheiros acerca desta matéria é preocupante.

Será este o novo papel de homens sensatos, empenhados numa enorme e árdua tarefa pela democracia? Os defensores da oposição, parecem mais dispostos a pertencer ao grupo daqueles que tendo olhos não vêem e tendo ouvidos não ouvem as coisas que estão intimamente ligadas à sua salvação temporal. Deixaram tudo para a Frelimo. Não estará na forja uma propositada agenda de criar-se um estado de emergência e limitar certas liberdades até aqui conseguidas e, diga-se de passagem, regadas com sangue, para daí chamarem forças estrangeiras? Senhor, porque é que a outra oposição não se pronuncia? O que estará a ser forjado nas chancelarias?

É que, como o disse uma vez, eu não conheço outra forma de julgar o futuro a não ser pelo passado. Nesta lógica, a julgar pelo passado e pela minha própria experiência, vejo uma nuvem negra pairando sobre o país e qualquer silêncio revelar-se-á uma armadilha aos nossos próprios pés. O contexto de 1998 no qual a Renamo boicotou as eleições difere do actual. Naquele tempo tínhamos uma Renamo forte, com uma base de apoio no Parlamento e fora dele que, portanto, não lutava para salvar a pele, como hoje.

O que significa esta sua exibição marcial, se o seu propósito não é forçar o povo à submissão? Poderão os moçambicanos atribuir-lhe outros motivos? Tem a Renamo algum inimigo, em qualquer canto do país, que justifique toda esta acumulação de nervos? Não, Senhor, não tem nenhum. Destinam-se a Frelimo, não podem ser para mais ninguém. A oposição como um todo, comandada pela Renamo, tem enviado espiões de consciência para manter sobre a Frelimo as grilhetas que ela vem forjando há muito tempo. A saída de muitos segredos nossos para a imprensa mostra o quão a oposição está infiltrada nas nossas fileiras.

E o que a Frelimo tem para lhes opor? Chamar a pequena oposição à razão para servir de mediador? Não! Não há grande nem pequena oposição, Senhor. São farinha do mesmo saco.  Há mais de cinco meses que o vimos tentando e já não temos algo de novo a avançar sobre o assunto. Já o analisamos sob todas as vertentes, mas tudo foi em vão. As nossas propostas de reconciliação e de diálogo têm sido desdenhadas, e temos recebido ameaças com insultos acrescidos.

Senhor, nós desejamos ser livres das ameaças da oposição, pretendemos preservar invioláveis os inestimáveis privilégios pelos quais lutamos há muito, não pretendemos abandonar cobardemente a nobre luta na qual há tanto tempo estamos envolvidos e que nos comprometemos a nunca abandonar até que o glorioso objectivo da nossa luta fosse obtido. Se a Renamo continuar com essas ameaças, abandonando a mesa do diálogo, só nos restará um apelo às armas e ao Deus das Hostes!

Dizem-nos, Senhor, que somos fracos, incapazes de enfrentá-los. Quando é que seremos fortes? Na próxima semana, ou no próximo ano? Quando estivermos completamente desarmados e um espião da oposição estiver estacionado em cada casa? Ganharemos força através da irresolução e da inacção? Adquiriremos os meios para uma resistência eficaz supinamente deitados de costas e abraçando o ilusório fantasma da esperança até que os nossos adversários nos acorrentem de pés e mãos?

Senhor, nós não somos fracos. Somos três milhões de membros, unidos na sagrada causa da nossa independência e da dignidade dos moçambicanos e, num país como nosso, somos invencíveis por qualquer força que o adversário possa enviar contra nós. Além disso, Senhor, não travaremos as nossas batalhas sozinhos. Existe um Deus justo que preside aos destinos das nações, e que providenciará amigos para travarem as nossas batalhas por nós.  A Renamo está com medo do voto e foge da democracia como o diabo foge da Cruz!

A luta, Senhor, não pertence apenas ao forte; pertence ao vigilante, ao activo, ao corajoso, ao dialogante. Além disso, não temos escolha. Agora é tarde demais para nos retirarmos do conflito democrático. Apenas poderemos retirar submissos e escravizados! As nossas grilhetas estão forjadas! O seu chocalhar ouve-se nas montanhas de Mueda e nas planícies de Gaza. A batalha é inevitável. Que apareçam! Repito, Senhor, que apareçam!

Os outros podem apelar a calma, mas não há calma, Senhor. Os nossos irmãos renegados já se encontram no campo da batalha. Porque permaneceremos nós aqui inactivos? O que desejam os cavalheiros? Em 1775, Patrick Henry, pergunta: «será a vida tão valiosa, ou a paz tão doce, que possa ser comprada com grilhetas e escravatura» que a nossa oposição carrega consigo nas suas promessas e nos seus gestos? Livrai-nos disso, Deus todo-poderoso! Se a Renamo confia na força, nós confiámos no povo e aqui estamos para entregar o que temos de mais precioso: a nossa vida, porque a causa é grande!

A Popularidade de Guebuza: Resposta a Bayano Valy

No seu comentário sobre o meu post com título  «A quem interessa a sucessão de Guebuza»Bayano Valy diz o seguinte: «EU gostaria de saber como chegou à conclusão de que os que clamam pela sucessão de Guebuza fazem-no a mando de interesses não nacionais? Acho que até prova em contrário o ónus da prova deve ser por ti oferecida.
Ora, diferentemente de 2004 (mesmo em 1998/9 havia lido um artigo com título «Chissano Refugia-se no Povo») em que segmentos do povo comum se mostravam ansiosos em ter um novo líder, actualmente tal cenário não é notório. Desde 2 de Janeiro que fui recolhendo dados, aqui, acolá, além, entre Portugal-Qatar-Moçambique-Qatar-Portugal, num estudo comparativo sobre a deslocalização dos benefícios sociais da cidade para o campo e vice-versa, suas implicações nos mecanismos de transferência do poder em África: caso de Moçambique.
Em Moçambique recolhi dados em distritos de nove províncias exceptuando a de Cabo Delgado e nos municípios de Maputo, Manhiça, Xai-Xai, Chibuto, Inhambane, Vilanculos, Dondo, Beira, Gondola, Chimoio, Catandica, Tete, Moatize, Ulóngue, Milange, Mocuba, Gurue, Cuamba, Ribaue, Nampula, Monapo e Nacala-Porto. Para não me alongar vou ao essencial: Guebuza continua popular (66,4%) - com uma margem de erro de 3.2% para mais ou para menos - entre os que há cinco anos se sentiam insatisfeitos com a governação. Em termos representativos são: 89,2% dos que se dizem simpatizantes da Frelimo; 52% para os apoiantes dos outros partidos, 58% dos independentes e/ou que não revelaram a sua orientação política.
Do outro lado, temos estrangeiros vivendo em Moçambique há mais de cinco anos e aí encontramos dados interessantes sobre a popularidade de Guebuza: 75,6% para os estrangeiros africanos, 56,6% de estrangeiros europeus, 59,8% entre os asiáticos, 47,4% de americanos, 45,7% entre os refugiados, 38,4% entre os que perderam o estatuto de refugiado. Destes dados resulta que 53,9% de estrangeiros acha que Guebuza devia continuar. Juntando as duas realidades vemos que pelo menos 60,15% dos habitantes de Moçambique gostariam de ver Guebuza a continuar, caso o mecanismo de transferência de poder fosse pela Frelimo, repito, caso fosse pela Frelimo. Por vezes, a Democracia é injusta!
Quando questionados da possibilidade da sua sucessão, por exemplo, além da incerteza política 73%, ouvi respostas do tipo «isso é entre eles», «era preferível que o povo fosse consultado porque lá na cidade não sabem o que nós pensamos», «estamos cansados das decisões tomadas por baixo da luz», «já querem cortar esse dinheiro que o distrito recebe», «deve continuar», «não me interessa», etc. e muitos outros motivos que justificam mais a necessidade da sua continuidade do que do seu afastamento.
A contestação era mais notória nas cidades e mesmo nestas, entre os mais formados e até, como digo, entre funcionários públicos. Mas estes últimos tinham características peculiares. Em geral, bons trabalhadores, assíduos, cumpridores de seu dever, a maioria formada na instituição pública, etc.. No final do estudo, defendo que a contestação urbana deve-se ao facto de ter havido uma deslocalização dos benefícios económicos e sociais, o que resultou em desenvolvimento desequilibrado. O meio urbano foi o mais sacrificado em parte porque Guebuza liderou pessoalmente o desenvolvimento do meio rural deixando as cidades para os edis. Enquanto nas cidades a ruralização avançou e com ela a pobreza urbana, no campo, os hábitos urbanos foram surgindo e incorporados aos antigos desde o traje, passando pelo vestuário e alimentação até à habitação e, em última instância, poupança de dinheiro em bancos.
Entre os contestatários a sucessão de Guebuza não figurava entre as suas prioridades; outros nem sequer se lembraram. Pelo contrário, falaram do aumento salarial, do humilhante tratamento que recebem nos hospitais públicos, da distância que lhes separa das sedes de poder local, dos centros de saúde e de escolas pré-universitárias; de capital para abertura de um negócio; dos fertilizantes e das sementes; dos barcos e das redes de pesca; das propinas para os filhos ou para eles na universidade; do dinheiro para corromper uma parteira, um professor, um enfermeiro; de possuir uma torneira em casa ou perto dela; de conseguir uma vaga de emprego, para formação, ou na escola, para si ou seus dependentes, de conseguir um talhão para casa própria; de alimentação.
Quando analisadas as vias para a solução desses males, a mudança de lideranças foi apontada, mas esta estava abaixo dos que sugeriram a via de monitorização/fiscalização das actividades da parte do chefe máximo. Quer dizer, a mudança a que se referiam era apenas sectorial e não da estrutura. Nos municípios os mais criticados foram os vereadores e secretários dos bairros (88%) seguidos de presidentes (86,5%). Algumas pessoas mostraram que nunca viram o presidente do município!
Também os ministros não escaparam e sempre, analisados em termos comparativos para a negativa ou para a positiva. Só por curiosidade, contrariamente ao que tenho lido, nalguns municípios, o problema de transporte e de lixo está em último lugar em relação ao de talhão, de água e de luz. Portanto, foi a luz disso e de tantas outras curiosidades que cheguei à minha conclusão a qual, naturalmente, é sempre contestável. Poderia ter dito muito, mas continuo a pensar que a sucessão de Guebuza, por enquanto, não constitui um problema nacional e que há interesses alheios por detrás da sua promoção, muitos deles tão intrínsecos quanto mister é o próprio tema mesmo dentro da Frelimo.

O que acontece, em geral, os políticos vivendo na cidade e sem desejo de lá sair, falam em nome de quem vive no campo não para melhorar a vida neste meio rural, mas para garantir meios de viver bem na cidade. Entre as limitações do estudo, figura a questão temporal, dada a distância que o separa do pleito eleitoral sucessório e, devido as mutações dos próprios fenómenos sociais.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A quem interessa a sucessão de Guebuza?

«E desceu a chuva, e correram rios, e sopraram ventos, e combateram aquela casa; e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha». Estas palavras, ditas por Jesus Cristo, perto de Cafarnaum, na Palestina, cerca de 30 d.C., continuam a fazer eco nos nossos tímpanos politizados com uma aplicabilidade multissectorial.
Tenho lido, em alguns veículos de comunicação de massas, a pseudo-preocupação sobre a sucessão de Guebuza. Fala-se de um Guebuza apegado ao poder, desejoso de só o deixar quando garantidos os seus negócios. Falam de que a Frelimo precisa tempo para fazer o marketing político do seu candidato a fim de ser conhecido por todos. Até aqui tudo bem. Todavia, a capacidade de muitos dignos cavalheiros, militantes ardilosos do lado menos visível do metical, deixa muito a desejar. Tal como os fariseus, começam por elogiar como se tivessem um bom desejo para a Frelimo escondendo o que realmente lhes move. Sim, o móbil dos seus desejos. E qual ou quais os móbeis por detrás dessa campanha toda?
Evidentemente, são vários, mas no topo da agenda é o ódio, a aversão e a antipatia que sentem para com Guebuza e para com todos os que com ele se relacionem. É o ódio a Guebuza que mais lhes move as pestanas do que a razão que os seus corações tanto necessitam. É o desejo de linchamento político e público, de assassinato de carácter da figura que for indicada. É a pretensão de criar um poder paralelo dentro da Frelimo e, por via disso, equacionarem a possibilidade dos seus lugares ao sol. Mas sobretudo, pretendem promover a campanha edificadora das potencialidades dos seus líderes, enaltecendo-lhes as qualidades em função dos golpes por infligirem ao escolhido. O resto das suposições benevolentes não passa disso mesmo: resto.
Se se exige a saída de Guebuza e até há Jornais que perfilam a buscar desvendar o mistério da sua sucessão, não faz sentido lógico que estes nobres e bem intencionados analistas questionem o carácter perpétuo do Engenheiro Daviz Simango na Beira? É que está a sufocar a mente de muita gente identificar uma cidade com uma pessoa e vice-versa, incluindo outros edis frelimistas que já estão ao segundo e terceiro mandatos. Ao menos Guebuza já o disse publicamente não pretender continuar. Quando é que ouviremos um Simango a dizer o mesmo?
É legítimo que se questione a sucessão de Guebuza mas quando se insinua alguma bondade nisso também é de questionar. Não basta a mudança de pessoas para que a bandeja da bonança se destape e a riqueza se espalhe, pronta a ser recolhida. É preciso que tal mudança não traga instabilidade. É isto que qualquer líder sensato procuraria fazer. É mais conhecida a máxima «cada sociedade tem/possui os governantes que merece». Separar os governantes da sociedade é um erro. Nenhum governante brotou do subsolo como um cogumelo. Podemos colocar uma pergunta de leve: a quem interessa a sucessão de Guebuza?
E até provas em contrário, recuso-me a acreditar que os que a desejam fazem-no ao interesse da nação. Pode ser que o façam porque o círculo se aperta à sua volta e à volta daqueles para quem desejam combater até ao último homem. E até provas em contrário, recuso-me a acreditar que o verdadeiro povo moçambicano queira debater a sucessão no lugar de debater os problemas de comida, luz, água, estradas, hospitais, escolas, pontes, que representam o verdadeiro interesse nacional. Há funcionários públicos metidos nesta campanha? Sim, e muitos! E o que eles desejam, a nível pessoal e privado, fora do que se disse acima?
Para responder a esta pergunta, outras se fazem necessárias: o que move estes indivíduos, por vezes formados a custo zero e com salário público em dia, a serem rebeldes de consciência, por pensamentos e palavras, actos e omissões, contra o próprio governo que lhes deu a formação e o emprego? Será por causa do sentimento filantrópico que defendem estarem imbuídos ou apenas pela necessidade de um reconhecimento público que a Administração Guebuza lhes negou? As respostas a estas perguntas não cabem num texto deste tamanho. Mas a intuição leva-nos a responder apressadamente que entre as várias razões privadas figuram:
i)                    Auto valorização exagerada em relação ao percurso da própria vida familiar, escolar e profissional;
ii)                   Resistência camuflada à obediência no local de trabalha causada pelo espírito de superioridade, ainda que pareçam cumprir com os deveres laborais;
iii)                 Falta de vocação para o trabalho em que estão formados ou a desempenhar;
iv)                 Alto índice de expectativa pela recompensa e consequente demora desta pelo trabalho feito que julgam merecer;
v)                  Ambição em serem os primeiros entre os iguais.

Já que a saída de cada líder convida novos actores, estes indivíduos desejam ser os próximos da linha. Portanto, a promoção da questão da sucessão de Guebuza encobre interesses privados, camuflados de nacionais. É uma questão de preparação de terreno para os próximos lambebotas. Nela, não existe nenhum interesse nacional, ao menos na forma como tem sido debatida, muito menos para a fortificação da Frelimo. Se estas chamadas de atenção não contribuem para sossegar os espíritos revolucionários, esperemos pela caída da chuva, e pela corrente dos rios, e pelo sopro dos ventos, e pelos combates e veremos qual das casas não cairá porque edificada sobre a rocha.

domingo, 24 de março de 2013

Eduardo Mondlane: Os Passos de um Herói

 
by Eusébio A. P. Gwembe (Notes) on Sunday, 3 February 2013 at 05:28





Celebra-se hoje, 3 de Fevereiro, o dia dos Heróis Moçambicanos motivado pelo assassinato de Eduardo Mondlane há 44 anos.
 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Como tornar Nampula uma cidade-modelo?


Nampula beneficiou do apoio do MCA. Quando, dentro de poucos meses, se completarem os planos que o Município presentemente executa, teremos uma cidade diferente, e, conservando o seu carácter macua, ter-se-á tornado numa das belas cidades africanas. A colorida capulana da mulher macua sempre foi um dos seus mais belos ornamentos, e no futuro não só assim continuará a ser, senão essa característica ainda mais se acentuará. Novos espécimes de arquitectura ligarão o passado com o presente, na composição de um quadro perfeito. As principais construções serão as que se levantam junto da EN1, onde se acham já concluídas muitas obras de tipo prédio. Mas isso não deve ficar por aí. Há muito espaço subaproveitado! [Na imagem ao lado, junto da ponte do Matadouro, dois jovens tomam banho enquanto outro lava frascos que serão utilizados para venda de óleo - Arq. Pedro, 12-03-2013]
Olhando para o que é Nampula de hoje, a sensatez manda-nos dizer que a Estrada Nacional N1 já deixou de ter sentido, ao cortar a cidade pelo meio. As transformações pelas quais está passando a cidade tornarão, num futuro breve, aquela estrada prejudicial à estética urbana, enquanto o seu desvio tornaria a urbe de lazer ainda mais aprazível do que era. Em função do seu progresso é preciso rasgar-se novas vias de trânsito, ligando bairros periféricos ao centro da cidade; é preciso construírem-se balneários para crianças e adultos, é imperioso construírem-se sanitários públicos em parceria com os privados e devolver à cidade os jardins que perdeu.
É urgente construir-se uma EN que não passe pela cidade, podendo esta ser projectada para antes da Fábrica de Cervejas, a fim de sobressair para além do Control para Nacala. Importa transformar Nampula num Pólo de atracção acompanhando os seus multiformes melhoramentos ora em curso, que incluam drenagem das águas das chuvas, consolidação de terrenos nas escarpas que dominam as várias vias que periodicamente são sujeitas a desmoronamentos, arruamentos transversais, pavimentação de numerosas artérias nos bairros esquecidos da cidade, construção de casas dignas desse nome, airosas e higiénicas que destinem substituir os bairros de capim alí existentes.
A cidade de Nampula possui pequenos muitos riachos naturais que escoam águas e dejetos de toda a espécie para longe dela. Temos visto nestes riachos muitas pessoas tomando banho, lavando plásticos, garrafas e frascos que depois são usados para colocar produtos de venda em mercados o que põe em risco a saúde dos munícipes. Estes riachos naturais poderiam ser aproveitados, sem elevados custos, para neles serem colocados os canais de esgoto da urbe, matando, deste modo, dois coelhos numa única cajadada. Não se pode perder de vista o problema do fornecimento de energia eléctrica, a qual devia começar a ser pensada em função do risco, privilegiando os canais subterrâneos, de condutas de água para mais perto das populações.
A transferência da terminal de Comboios deve configurar-se no plano primordial e a melhoria do sistema de Transporte Público digno desse nome faz-se igualmente necessária. Deve-se fazer uma eliminação gradual dos pequenos «chapas» que tornam a viagem dos gordos mais penosa. Se a vontade e as intenções se conjugarem, se a imaginação e o desejo do belo se cruzarem e, sobretudo, se a honestidade dos políticos se revelar regra, poderemos ter uma Nampula modelo para se viver com dignidade.

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Estes riachos naturais poderiam ser aproveitados, sem elevados custos, para neles serem colocados os canais de esgoto da urbe, matando, deste modo, dois coelhos numa única cajadada.

http://repensand.blogspot.pt/2013/03/como-tornar-nampula-numa-cidade-modelo.html


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  • Paulo Araujo Infelizmente nao eh o que esta a contecer. os esgotos a serem construidos com fundos do MCA seguem outras routas e padroes, que a populaçao local duvida da sua eficiencia, mas se os engeneiros assim decidem, so o tempo dira quem tem razao.

  • Eusébio A. P. Gwembe Ouvi pessoas a murmurarem (cor razão) sobre o porquê de remover algo que nunca apresentou nenhum problema de entupimento quando temos lugares que precisam de sistema de esgoto? Alguns chegam a questionar a seriedade dos engenheiros actuais e estranham o facto de ser apenas o centro da cidade a beneficiar de obras dessa envergadura quando a maioria da população reside na periferia. Enfim, o tempo dirá!

  • Paulo Araujo Vivi 4 anos nessa cidade e conheco bem os problemas que tem e o Namuaca tambem sabe mas parece me que ele se desligou da autarquia faz bastante tempo.

  • Gito Katawala Eusébio A. P. Gwembe, ha dias estavas a usar imagens do mesmo projecto para propaganda partidaria, e hoje estas a usar para analise de "cidadao preocupado" com eficiencia. Por isso tenho dito, um dia ainda vamos conversar contigo sobre estes teus pronunciamentos. Hehehehehe.

    Antonio A. S. Kawaria, tas a ver ne?

  • Antonio A. S. Kawaria Estou a ver Gito Katawala. Eu dizia que as vias de que ele falava tem recebido manutencão regularmente, mas para quem conhece Nampula, as zonas de preocupacão não são mexidas. Podemos questionar do porque não se aproveitou o projecto do MCA para atacar locais como estes? Eusébio A. P. Gwembe, te perguntei se havias falado com membros do Conselho Municipal de Nampula. Que resposta deram eles sobre este problema?

  • Eusébio A. P. Gwembe Antonio A. S. Kawaria, deram a resposta tradicional do tipo «é o desejo dos financiadores». Gito Katawala, nem tudo anda bem mas há janelas para que as coisas andem. Temos que fazer o que pudermos para vivermos condignamente. Não teremos outro Moçambique e ninguém fará para nós se não pusermos mão à obra.

  • Antonio A. S. Kawaria Essa resposta de que do desejo é do financiador é mesmo tradicional. Será que foi mesmo a USAID a querer que sejam melhoradas as vias que infalivelmente passam visitantes VIP à cidade de Nampula?

  • Juma Aiuba Não concordo que se transformem rios naturais em esgotos. É contra o meio ambiente. O que Nampula precisa é de esgotos mesmo e não de transformar nada em nada! Esses riachos escoam a água das chuvas de forma natural. O que se precisa é de cuidados por parte do CMCN e da população, com ordenamento de construções, por exemplo. Infelizmente, o CMCN fica satisfeito com pequenas limpezas que tem feito as valas existentes, ao invés de reforçar igualmente o trabalho de sensibilização as comunidades sobre como usar as infraestruturas existentes.

  • Eusébio A. P. Gwembe Juma Aiuba, ao menos que sejam, de vez em quando, limpados, pois ai guarda-se todo o tipo de imundice.

  • Juma Aiuba É isso... Eu acho que o rio Muatala, por exemplo, bem usado seria uma mais valia no que concerne a evacuação das águas (das chuvas ou não) e purificação do meio ambiente.

  • Eusébio A. P. Gwembe Sim, Juma Aiuba. Mesmo aquele rio que passa abaixo da Escola Secundária de Nampula, poderia ser bem limpo, pavimentado, afastando as famílias que estão nos lados, como se fez no Chiveve. Assim, os esgotos podiam muito bem desaguar nele e evitar-se os cenários que se assistem: banho, lavar alfaces, plasticos, garrafas, frascos, etc. Nampula está em melhores condições para não ter água estagnada.

  • Juma Aiuba É isso... Tenho cá as minhas reticências em relação ao novo sistema de esgoto que está a ser construido pela portuguesa Gabriel Couto. Posso estar enganado, mas não vejo que aquilo tenha alguma inclinação para algum lado. O meu medo é no período das chuvas os esgotos não poderem lançar a água para lado algum e transformarem-se em autênticas piscinas.

  • Claudio Oliveira Amone Chivambo Visão controversa Eusébio A. P. Gwembe,...não sei que pretendes. Porém, é de se saudar este teu post de cidadão preocupado nos olhos de observar e não os de ver.

terça-feira, 19 de março de 2013

Uma oposição cada vez mais distante da realidade nacional

As botijas do veneno de descontentamento andam cheias e prontas a explodir. Devemos expulgá-las, antes que explodam. Se atentarmos para a realidade moçambicana de nossos dias iremos constatar a existência de inúmeras contradições, que estão a exigir a nossa análise e compreensão. É indiscutívelque o país progrediu. Deixamos de ser um país essencialmente agrícola. Novas oportunidades de emprego se abriram e novas actividades profissionais apareceram. Rádios, televisões, celulares e outros objectos, que há uma década atrás eram blindes de aliciamento sexual e político, passaram a ser acessíveis às grandes franjas da população e até o automóvel já se vai tornando reivindicação possível para algumas moças. Construímos a mais moderna ponte da África Austral, abrimos novas estradas, cortamos o país com alcatrão de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
As populações rurais recuperaram a sua característica criando animais que o triste passado lhes tinha arrancado e recuperando suas actidades tradicionais. As chapas tendem a substituir o capim das habitações, a charrua substitui a enxada de cabo curto, à almofariz e ao pilão substitui-se pela moagem e a carroça toma o lugar da cabeça no transporte. Superamos os grandes em índice de crescimento, ao atingirmos a média anual de 7%. Ganhamos maior projecção e respeito no exterior ao abandonarmos a velha posição incaracterística de nossa política externa e ao passarmos a participar, com personalidade própria, no cenário continental. O povo moçambicano, enfim, ganhou mais confiança em si próprio e passou a actuar decisivamente na vida política da nação.
Mas, enquanto isso, determinadas facetas de vida nacional não foram modificadas. Aprofundam-se as antigas contradições e novos problemas vieram à tona, desafiando a capacidade nacional e tornando cada vez mais difícil a vida do povo. O rápido desenvolvimento, por si só, não pode resolver vários problemas básicos da nação, muitos dos quais, ao contrário, viram-se agravados. O país defronta-se, assim, com uma grave situação de crise dos transportes, da comida, da saúde, da escolaridade, da qual só poderá sair através da reformulação de vários aspectos da sua estrutura. Não há no seio do povo quem honestamente não deseje e necessite de uma urgente modificação nesse quadro doloroso dentro do qual se desenrola a angustiante vida nacional de nossos dias. Isso só seria possível se todo o povo se unisse, o que não é o caso, num projecto comum e inclusivo. Mas, infelizmente, dentro da nação, nem tudo é povo. O povo é, sem dúvida, a maioria, o elemento dinâmico e sempre novo que tem interesse no progresso, porque precisa libertar-se das dificuldades actuais sob lideranças com projectos nacionais.
Há uma minoria beneficiária da situação de momento, que se projecta cada vez mais à custa da pauperização da massa popular e que não está absolutamente interessada em qualquer alteração da situação vigente baseando-se na realidade nacional. Essa minoria, que é constituída pelos nacionais para quem só a ocidentalização do país permitirá o seu progresso, ainda guarda características semi-feudais, vivendo o saudosismo do chicote e da palmatória, razão pela qual alimenta-se do veneno de grupos estrangeiros interessados no nosso estágio de atraso de quem é, por assim dizer, seu teta de ferro. Essa minoria conta com advogados nativos que mobilizam todos os recursos publicitários no sentido de arregimentar forças e dividir o povo, procurando anestesiar suas camadas menos esclarecidas com falsos argumentos políticos e religiosos, de modo a afasta-las da luta pelos seus interesses, lutas essas que, como eles sabem, terminarão por modificar o actual estado de coisas.
Sentem esses chamados políticos da oposição que já não controlam inteiramente nada e que, consequentemente, o próprio poder político que já tinham conseguido começa a fugir-lhes das mãos, conquistado aos poucos pelos métodos mais afinados com os interesses nacionais. Por isso desesperam e chegam a apelar para as sanções não declaradas ao seu próprio país, na esperança de impedir o despertar da consciência popular e a marcha do povo unido para o combate à pobreza, ao espalhar o veneno de descontentamento generalizado. Como admitir-se a futura e previsível vida seca e desumana de milhões de moçambicanos que são enganados todos os dias por aqueles que se dizem vocacionados para governar, distribuem caridade nas províncias e cidades deste belo Moçambique quando deixam o povo da Munhava, Chingussura, Inhamizua, tão carente?
Não é por acaso visível e revoltante o contraste da terrível e sempre crescente carestia de vida que anula as melhorias salariais conquistadas pelos trabalhadores e torna dramática a luta das donas de casa pelo equilíbrio do orçamento doméstico e o consequente e rápido aproveitamento político de uma minoria insensível, egoista e umbiguista, desprovida de ideias inclusivas que promete um paraíso na terra esquecendo-se que «a união faz a força»? O que é que a oposição tem feito como contributo para alterar o actual estágio das coisas senão desmotivar o povo para não trabalhar de modo a que o número de consumidores seja cada vez maior que o dos produtores? Precisamos de modificações estruturais, mas também precisamos de união de todos para fazer face a um inimigo comum: a pobreza.