domingo, 12 de maio de 2013

A Frelimo e os ventos da História

Tenho visto a oposição desenvolver esforços consideráveis no sentido de mobilizar o país contra a Frelimo, agora instalada à ilharga dos lares dos seus próprios líderes. Mas o certo é que não falta quem veja nessa atitude uma clara luta contra os ventos da História, que ela própria parece ter visto soprar com alguma indiferença, senão tranquilidade, sobre Pemba, depois sobre Cuamba, parecendo apenas inquietar-se seriamente quando chegou às suas portas, naquele 18 de Abril, aquilo que, em face do enorme desastre já consumado, pode chamar-se uma ligeira brisa. Tínhamos visto profetas profetizando o fim da Frelimo mas a história registou o princípio do fim da oposição. Naquele dia de glória, a prontidão das forças de segurança, evitou o pior que tinha sido arquitectado sob a cortina de ferro. Jovens instrumentalizados acabaram parando em tribunais em processos que o bom senso poderia evitar e que franja da oposição insistiu que acontecesse. A política que tem levado a estes resultados é a que nós chamamos de reaccionária, porque justamente é caracterizada pela mesquinha defesa de interesses exclusivos, sem respeito pelos interesses daqueles mesmos que mais de uma vez foram chamados a honrar com o sangue do seu povo a fidelidade ao que supunham ser a mesma concepção de vida.

Tal como profetizaram naquele tempo, eis que hoje, os mesmos videntes fracassados de ontem aparecem com esperança renovada, não se sabe como e de onde. Do ponto de vista daqueles a quem o acaso confiou a liderança da oposição, não é a extensão dos insultos e acusações falsas nem enganosas promessas ao povo que dá aos ventos a dignidade de ventos da História. A Frelimo tem optado por colocar em cargos de chefia as pessoas de sua confiança tal como tem acontecido nos municípios sob gestão da oposição. Parece-nos contraditório que esta, que nunca colocou nenhum frelimista nas suas hostes, venha de boca cheia sugerir a Frelimo para colocar os seus quadros na função pública, os quais, no estado actual, só poderão contribuir para a sabotagem e fragilização do poder central e dos objectivos preconizados. Por isso temos certa dificuldade em entender que, não aceitando esse critério para uso próprio, o vejam como bom para os outros. A oposição precisa não apenas entender mas sobretudo compreender que actualmente é a Frelimo quem governa Moçambique com uma agenda por si feita que não contempla governo de unidade nacional. Tanto que insista em que a Frelimo deve melhorar, tomando como exemplo apenas o número de vezes que já faliu a presença dos partidos da oposição em Moçambique, cabe ao povo decidir e acompanha os ventos da história quando se recusa a contribuir voluntariamente para a catástrofe geral da oposição nestas paragens.

Eu entendo que a falência sucessiva dos esforços desenvolvidos, directamente ou sob algumas ONGs, para conter a expansão frelimista, demonstra a injustiça da causa que continua a convencer-nos a todos da oportunidade de sacrificar muitos dos nossos recursos a manutenção da democracia, e por isso também entendo que a falência sucessiva da oposição demonstre a injustiça da causa a que temos sacrificado o melhor nas nossas energias, interesses e capacidades. Pelo contrário, sabemos pela experiência que todos estes desastres se têm somado em benefício do adversário comum, a pobreza, e por isso, entendo que se trata do mesmo processo de erosão cuja vítima final é Moçambique e, com ele, tudo quanto no país representa a expressão do espírito nacional. Não consigo encontrar motivos para supor que é a partidarização do Estado que trava o avanço da oposição quando somos um país com mais de 20 milhões de almas e não consigo descortinar motivo que nos leve a aceitar como razoável uma diversidade de atitudes em relação a interesses cuja perda beneficiará sempre o nosso adversário político. A oposição esqueceu-se de um aspecto fundamental do problema, o qual se traduz na íntima e vital relação que existe entre certos valores da política nacional e subsistência do povo que sempre lhes prestaram homenagem. Quando o povo escolheu a Frelimo já existia a partidarização da função pública enquanto ela lutava para criar um ambiente de coexistência política sadia com aqueles que a não aceitam!

Ora este dado fundamental da problemática da coexistência política foi uma constante da acção governativa, que considerou sempre igualmente válidos os direitos dos simpatizantes da oposição e os direitos dos partidos a que naturalmente pertencem. Considerou-os sempre igualmente válidos como valores que devem ser preservados por fazerem parte do património comum da moçambicanidade e não como simples valores instrumentais facilmente substituíveis por outros ao serviço de novos interesses. Mas isto não significa que seja a Frelimo a torcer a corda com que se enforcar. Pelo contrário, ela tem o direito de procurar os melhores antídotos contra a praga de calúnias que lhe vêm de todos os cantos. Que seja a oposição a apontar as vias pelas quais se deva processar a despartidarização do Estado, ao invés de só criticar e sem nenhuma sugestão. A experiência da Frelimo é também alguma coisa de importante que deveria ser tomada em conta pelos sábios e perplexos encarregados de definir um novo esquema para a coexistência política, e que até agora não conseguiram senão alargar as possibilidades de conflitos de interesses. Dizendo isto, antecipo de alguma maneira a resposta à questão que muitas vezes me tem sido posta de saber porque é que a Frelimo teima na manutenção da sua política de alargamento de células, e até a questão de saber porque é que a Frelimo não abandona partidarização do Estado. É porque parece mais claro a oposição estar só a criticar sem trazer soluções aos problemas que ela mesma levanta. No lugar de propor soluções esforça-se em levantar cada vez mais problemas.

Acusa o partido no poder de imobilismo em face de um mundo em mudanças e também não faltam acusações no sentido de que a sua persistência se traduz numa política arrogante. O quadro destas acusações não fica mais negro se acrescentarmos que vêm dos dois lados da cortina de ferro que representam a nossa oposição, o que por vezes parece assumir o aspecto de uma unanimidade condenatória impressionante. Ninguém estranhará, por consequência, que a Frelimo muitas vezes se sinta a si própria como uma espécie de Berlim, igualmente cercado pelo ódio e pela fraqueza, e todavia levantando com teimosia, mas também com coragem, a bandeira da liberdade. Em primeiro lugar, não entendo que se acuse de imobilismo um partido que sustenta ser necessário que o espírito da unidade nacional continue a projectar-se em todas as famílias e aceita que se considere dinâmica a política que os outros partidos desenvolvem na arena nacional. Compreendo que sentimentos de pudor nacional levem a chamar dinâmica à prática de abandonar rapidamente todos os pontos onde surge uma ameaça do inimigo e de abraçar atitudes ditatoriais como tem acontecido na oposição, aconteceu na primeira geração de partidos; e também na segunda e parece que começa a acontecer num partido da terceira geração que há semanas advogava um esplêndido exemplo de democracia. A nós, que somos um partido simples mas secular e com pouca experiência dessas subtilezas, tem-nos parecido que esse dinamismo se traduz no abandono dos ideais, na fuga às responsabilidades, na quebra da palavra dada, no progresso da perda da dignidade do homem numa extensão com poucos precedentes na História. Em resumo, ausência de uma agenda contínua!

Por outro lado, tenho a convicção de que a Frelimo representa uma notável conquista dos moçambicanos e recuso-me a aceitar o carácter progressivo da nova política que a vê em tudo o que é grupo social, transpondo para um plano nacional lamentáveis exemplos de tragédia partidária em que ser da Frelimo passa a ser crime. Tenho a certeza de que alguns dos nossos amigos suspeitarão que esta observação diz respeito à sua estrutura social interna enquanto membros de respectivos partidos e não me custa dizer que não estão enganados. E também gostaria que esses amigos, a quem as circunstâncias atribuíram uma chefia que porventura não desejaram, mas de que se dizem orgulhosos, tivessem a bondade de dizer, com clareza igual, que a experiência lhes mostra que a sua política começou por erros que se foram corrigindo com o tempo e que agora ainda não se encontram minimamente preparados para enfrentar a gigantesca máquina frelimista. Como os factos são estes, não é de estranhar que se tire a conclusão de que andaram à procura de uma experiência política baseada na destruição prévia dos alicerces legítimos dos partidos alheios. Pouco importa que se tenham inventado novos nomes para esconder a sua dependência aos seus patrões estrangeiros, mas importa muito sublinhar que a Frelimo foi e está a ser expelida em favor dos interesses de patrões estrangeiros, os mesmos que pagam as cotas para milhares de pueris que se dizem membros mas que nunca contribuíram com um único centavo para cotas partidárias e sem qualquer proveito para os moçambicanos. Ainda é conveniente sublinhar o seguinte: que o proveito tem sido maior para a oposição, a qual conta com o apoio governamental para fortificar as suas acções.
 
Pedro MAHRIC

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Deve a Frelimo defender-se?

Pretendem alguns, com recurso a insultos e adjectivos, contrariar as directivas que nortearam o trilho da Frelimo, enquanto outros entoam cânticos de louvor à oposição, à vista de todos nós; e a oposição entusiasma-se pela violência psicológica e insultos a que sujeita ao partido no poder. Admirando com júbilo a exclusão de milhares de cidadãos que poderiam contribuir em ideias e acções para o bem-estar de todos gaba-se pelos erros da Frelimo, passados e presentes, e insinua um visionismo negro para o país enquanto continuar em suas mãos. Perante os factos, ilusoriamente propalados, os moçambicanos imaginam que a vitória da Frelimo há-de vir em resultado dos esforços que ela emprega? Pois estão redondamente enganados. Ela tem de vir porque a oposição a chama, com as suas provocações e insultos ao poder legitimamente estabelecido. Para ela, o poder está podre e corrupto e, por isso, um dia, há-de cair como caem da árvore os frutos que apodrecem. Esqueceu ela que faz parte desta sociedade e que tem parte de responsabilidade! Esqueceu ela que está tão dividida em conflitos intestinais na definição do alvo doméstico. Esqueceu ela que não são os descontentes que governam um país. Que revisite as páginas da História sobre a Comuna de Paris!

A felicidade da oposição não pode já durar muito porque ela, velha e podre, não tem já força para resistir á corrente emancipatória do cada vez mais frelimizado povo moçambicano, cuja impetuosidade rechaça, tentando pôr-lhe diques! Seus partidos, n’um, talvez no último paroxismo da agonia, erguem-se em ditadura usando como instrumento a calúnia contra o esforço braçal do governo, contra o sacrifício da polícia, contra a Justiça e, em última instância, contra o próprio seu Governo ao qual deveriam submeter-se. Ao invés de submeter-se às instituições deste, entregam-se à confiança cega nos meios de comunicação, e atiram-se ferozmente á democracia, julgando estrangulá-la com a perseguição á livre escolha do povo que escolheu a Frelimo, diga-se, com maioria absolutíssima, transforma o que representa para ela tão grande sacrifício em brincadeira contra a soberania popular e ao progresso! Coitada Oposição! Julgando salvar-se do próximo castigo eleitoral, abismou-se ainda mais!

Ela no seu todo, embora aparente ter brilhado neste momento de crise, está em declínio, porque as cinco décadas da existência da Frelimo não representam a velhice, mas uma esperança e sonhos renovados rumo ao progresso. A calúnia contra ela é um parêntesis aberto no período da liberdade para obscurecer a ideia democrática que se desenvolve de dia! A Frelimo não se contenta com o lugar de vítimas porque quer orientar milagrosamente os seus objectivos. A oposição luta para a colocar na defensiva! E ela responde-lhe com igual medida. É quase seguro que não é no silêncio que superaremos este obstáculo, por um lado, por outro, é mais seguro ainda que a resposta agressiva contra estes insultos, indicaria o princípio da anarquia geral. Entendo ser um dever de consciência facilitar ao povo a maior união possível para a rápida consciencialização dos perigos que estes insultos escondem. A oposição mais intolerante e arrogante, vingativa e invejosa. Não há bem nenhum que a Frelimo tenha feito em 50 anos da sua existência, partilhados entre a dor e a alegria. Foram 28 anos de guerra e turbulência. É preciso que a História registe. Há 37 anos que a Frelimo é paciente com as brincadeiras: chega!

A imprensa livre, em vez de reconhecer-lhe os direitos históricos do seu sofrimento na luta contra o tribalismo, divisionismo e, ultimamente, contra a absoluta pobreza, atreve-se a falar de uma guerra perdida e de que a pobreza está a aumentar! A imprensa livre, em vez de se deslocar aos distritos e testemunhar in loco o grosso de infra-estruturas ali e acolá levantadas e superiormente inauguradas, ousa propalar que não há progresso e há um recuo! Porque não faz ela as contas sobre a relação entre o propalado recuo, infra-estruturas, o nível de vida da população de há 10 anos e nascimentos? Se a Frelimo perdeu a guerra, quem a ganhou? Até provas em contrário, recuso-me a acreditar que o verdadeiro povo moçambicano, maravilhoso e heroico, se junte aos que defendem o subdesenvolvimento. Foram 37 anos em cuja dedicação foi-lhe tão heróica que os estados inimigos merecidamente o admiram!! Até provas em contrário, recuso-me a acreditar que o verdadeiro povo moçambicano queira derramar novamente sangue e lançar o país numa catástrofe por causa de interesses obscuros em plena luz do dia.

Contudo, não nos podemos dar ao luxo de ignorar as possíveis consequências da nossa letargia nos futuros desenvolvimentos. Às calúnias se deve responder com elogios. Às denúncias sobre a corrupção, se deve responder com punições exemplares e às suspeitas se deve responder com explicações e esclarecimentos claros. Um partido digno do seu passado e do seu nome não pode tomar e nunca tomará uma posição indiferente, quando os ataques lhe vêem de todas as direcções. 50 anos ajuízam, em parte, a velhice e a imperiosa necessidade de renovação, sob perigo de sofrer graves golpes e morrer precocemente de tanto stress. A chave do sucesso está na juventude que, nesta hora histórica, revelou tanta força de carácter que já não a podemos atrever a ameaçar com palavras sem acções. A oposição tenta confundir o povo, obrigando-lhe a negar a sua própria história e a transformar o sofrimento numa virtude e conformismo, quando a Frelimo apela ao trabalho.

Nenhuma sociedade atingiu elevado nível de vida criticando. Todos os comentaristas que explicam a natureza do poder estão a expressar a ideia de que há política de exclusão, quando eles, usando instrumentos contundentes, aproveitam a ignorância do povo para lhe inculcar a ideia da negação à inclusão. Não há um único comentarista entre aqueles que criticam a Frelimo que negue esta verdade fundamental de que esta libertou a pátria e que é o garante da unidade nacional. E agora, quando a máquina partidária começa a movimentar-se para a destruição dos empecilhos do positivo progresso democrático e remoção dos instrumentos de opressão e a conquista do progresso, estes comentadores colocam a situação como se a Frelimo estivesse a abandonar a resistência e pronta a submeter-se à minoria oposicionista interna e à ínfima oposição externa que insultam os seus líderes a seu bel-prazer como se no partido não existisse uma maquinaria capaz de rechaçá-la com os mesmos meios a que eles se socorrem!!

A juventude está descomprometida com o passado histórico e ela, descontente que está, pode constituir em nosso pesadelo mais certo. Felizmente podemos dizer a todos que ainda há tempo para reparar os erros cometidos e assinar o novo contracto social que vislumbre uma reconciliação duradoira, garante de uma vitória confortável. Se a vitória não for fácil, difícil será consolidar o triunfo. Sendo a sobrevivência uma necessidade tão premente e óbvia, confesso que a Frelimo deve tudo fazer para a conquistar, como sempre o fez. Os frelimistas amam o seu partido por isso o defendem. Mantém ao mesmo tempo os simpatizantes em atitude vigilante, responsável e combativa usando os meios com que a oposição se socorre quando insulta o seu presidente e o calunia, a fim de por rapidamente o país em marcha e tenho fé, na conduta heróica de cada camarada que tornará possível a sua filosofia. Por isso, a Frelimo deve defender-se. Este é o imperativo do momento!
 
Pedro MAHRIC

Contra o discurso Tribalista da Renamo

"A Frelimo enviou polícias e militares do Sul para atacar a população do centro. Despachou 'machanganas' para matar 'chingondos' em Muxúnguè, mas os 'chingondos' responderam", Arlindo Milaco, chefe de mobilização nacional da Renamo.
  
Ressentimos hoje, 20 anos depois, os efeitos dos carros emboscados pela Renamo nas colunas militares. Talvez a juventude não saiba as razões históricas da falta de transporte com qualidade. Tendo passado duas décadas, sempre trabalhando e lutando com acrisolado amor ao povo, é com mágoa que ressentimos hoje, a falta de quadros públicos a todos os níveis chacinados pela Renamo como meio de criar impacto maior na instabilidade nacional. É preciso reconhecer que também tivemos culpa no cartório mas nós tínhamos chegado a ponto de contar apenas com a força do nosso braço e a grande vontade de vencer. O país ressente hoje a falta de estradas e pontes outrora minadas – recordemos do Pungue –, das fábricas outrora desenvolvidas a Norte do Save. Ora isto é, realmente, muito, mas não é tudo. Espanta-nos que, não obstante ser verdade, após todos os danos que a Renamo causou pelas próprias mãos venha reclamar que não há desenvolvimento, que há má distribuição da riqueza, que o norte está mal. É com algodão nos tímpanos que ouvimos da vossa boca que pretendeis dividir o país, cuja unidade foi regada com sangue! A Frelimo, devidamente auxiliada pela razão tende reconstruir o país! Não sejais porta-vozes do diabo e nem aspireis viver a hipocrisia. É injusto que vivendo anos ininterruptos na capital e no sul em geral, casados com as mulheres e com os homens de todas as tribos comeceis a chamar tribalista quem vos acolheu a ponto de esquecerdes os vossos, lá no Norte.

Nós suportamos os anos do repolho e de carapau e agora que erguemos o país dos escombros, eis que apareceis para destrui-lo novamente! Quereis ir alimentar novamente a indústria de Carne do Botswana conseguida pela bicha? Talvez não saibais que enquanto acabáveis o gado das já pobres comunidades nós comêssemos a carne vinda do Botswana! Talvez não compreendeis pois enquanto nós não tínhamos dinheiro para comprar algo vós penetráveis pela mata de onde regressáveis com algumas gazelas. Nós somos sobreviventes do grande desespero, engolidos pela vingança humana! Nós já fomos acordados pelo som da espingarda. Nós já sofremos ataques de três/quatro forças! Ainda recordamos o Janeiro de 1982 quando a República da África do Sul atacou Matola, através de comandos e mercenários que se infiltraram pela zona de Ressano Garcia. Em vez de ficarmos choramingando, a voz de Samora animou-nos ao dizer «que venham»! Que apareçam! Ainda temos na memória o 17 de Agosto de 1982 em que foi morta a bomba mulher de Joe Slovo, Ruth First. Aí na UEM. Não esquecemos o 7 de Abril de 1988 em que Albie Sachs escapou sem braço a um ataque similar que deflagrou no seu carro.
Ultimamente, antes de Dhlakama embarcar para Gorongosa, por ocasião do 17 de Outubro, de onde tem lançado as suas ameaças, perguntamo-nos: porque não vai até Maputo ou Beira? Nós teríamos grande prazer em lhe fazer as honras da casa. As nossas cidades precisam de pessoas do seu valor, que a visitem, a percorram, a estudem, porque fazem parte integrante e inseparável da nossa nação. Como até hoje, não se lhe deparou oportunidade, para fazer essa viagem, da qual, indubitavelmente, adviriam resultados profícuos, não só para enriquecer a nossa auto-estima, mas também para esclarecer vários e importantíssimos problemas nacionais, lembramo-nos (vede a nossa ousadia)  de lhe oferecer esta modesta e humilde promessa, sem nenhum valor divino, mas que, talvez, lhe possa sugerir a ideia de se dedicar a assuntos nacionais: as portas do diálogo estão abertas. Valer-lhe-á a honra de ter o seu glorioso contributo em avisar ao Dhlakama que pare de ameaças, a Frelimo já aprendeu. Em 2013 os 43 municípios passarão, na sua totalidade, ao glorioso, sem pena nem dó. Quanto a materialização das repetidas ameaças responderemos com Samora: «que venham! Que apareçam!».
 
Pedro MAHRIC

sábado, 4 de maio de 2013

Se a Despartidarização enfraquecer a Frelimo ela não recuará um milimetro

Se o teu inimigo te critica é porque estás num bom caminho. Levantam-se vozes apelando a despartidarização do Estado e a desfrelimização das instituições públicas. Esta exigência representa por si uma linha vermelha, como já fiz notar aqui. Faz tempo (2012) que escrevi isto, mas continua actual: A Frelimo não vai recuar um milimetro se tal recuo significar perda de protagonismo político. Venerados irmãos, que em tão reduzido número, circundados de armas de arremesso apontados à Frelimo, formais majestosa coroa a Oposição Moçambicana, vós que com a vossa presença abrilhantais este grandioso blog «videte vocationem veitram» (I Cor. 1:26), isto é, vede e considerai bem a vossa vocação: ajudar a Frelimo para melhor Governar. É diferente de «dizer a Frelimo como governar». Embora ela se encontre já melhor representada na AR, contudo, da melhor vontade vos faz ouvir directamente a sua voz, para convosco interagir, repetindo a saudação tão tradicionalmente moçambicana «do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico, na luta contra a pobreza» porque só juntos somos efectivos.
 
Nosso coração rejubila, nosso espírito extasia-se contemplando o magnífico espectáculo, que aos céus e à terra moçambicanos oferece a vossa dedicação em prol do bem-estar geral. Espectáculo tanto mais consolador quanto é a expressão fiel da fé em Dhlakama, Raúl Domingos, Simango ou Sibindy por parte daqueles que lhes seguem os ideais. A Frelimo segue ideais que a faz ver todo o frelimizado Moçambique de olhos à volta dela, erguido no esplêndido cenário de um partido cada vez mais servil e presente nos anseios populares, para vitoriar e tributar suas homenagens aos libertadores da pátria, em estos de fervor e devoção, em solenes actos de reparação e desagravo, em protestos convictos de fidelidade, de indefectível correspondência ao seu eterno engajamento na construção de Moçambique. Ela não pode sentir pena das derrotas da oposição, suas vitórias foram reconhecidas internacionalmente. Como quem está a governar, não irá aceitar que o seu programa sufragrado pelo povo seja distorcido por causa dos que não vêem a hora de também governar.
 
Não entrou a Frelimo na História sob signo da cruz de Cristo para ser santa. Tem seus defeitos. Aprende com os erros e dentro do próprio processo. Não começou a Frelimo com o estágio num pedaço de terra para governar Moçambique. Ela tomou conta de todo o país, cercado de inimigos confessos e poderosos. Naquela gloriosa jornada do 25 de Setembro, quando à sombra das primeiras espingardas formada com punhos moçambicanos e arvoradas em terra moçambicana se cantava o hino da liberdade houve, tal como hoje, quem ousasse chamar de Hipócritas e mentirosos aqueles homens. Nós bendizemos ao Senhor por vermos reflorir esta atitude de menosprezar os outros para ganhar protagonismo, aliás, aquilo contra o qual dizem estar a combater. Infelizmente, a oposição ao encontrar justificativa de seus fracassos na adversária Frelimo contribui para que a sua aurora não chegue a ser dia. Bendizemos ao mesmo tempo quantos com o seu discernimento têm contribuído para o prometedor florescimento de uma oposição construtiva na pessoa do Sibindy para quem vossos ataques também estão direccionados. Os que compreenderam que mesmo com a Frelimo no poder é possível contribuir positivamente.
 
A todos os que têm sabido fazer uma oposição construtiva que, embora obra silenciosa, mas constante e cada vez mais vasta e fecunda, estendemos-lhes as mãos e o coração bem-intencionado. Que esta florida primavera colaboracionista não desvaneça com os ecos dos ataques, mas alastre e se traduza em frutos de bênção por todos os partidos. Assim como em Moçambique cabem todos, na Frelimo também há espaço de escutar  e considerar as ideias de todos. Vinde e vede, na casa do Pai há muitas moradas. Acreditamos que juntos podemos tornar o país numa grande nação e na colaboração está cifrada a maior glória, a maior grandeza, a verdadeira felicidade... Mas essa grandeza impõe deveres, acarreta responsabilidades: de sermos tolerantes no pleno sentido da palavra. Que o retiro de Dhlakama em Satungira e as renovadas reuniões dos outros partidos da oposição ajudem a desvendar o local onde depositamos as tabuas da salvação e devolvam ao país o verbo «colaborar». Como zebra perseguida pelo leão, a Frelimo sabe que os dentes do leão não são sinal de sorriso e porque não tem corpo de mártir, nunca brincará com aquilo que a pode destronar violentamente. Quanto mais o teu inimigo te critica,  é porque estás num bom caminho, diz-nos Xenofonte.
 
Pedro MAHRIC

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Nota do Mês

Durante o desagradável mês de Abril, Moçambique atravessou uma crise – que é incontestavelmente a mais severa, talvez a mais decisiva, que esta geração tem afrontado. Através dos últimos 20 anos, a Renamo, por uma sequência de factos, alguns imprevistos, começou a entrever, como sonho realizável, a refundação d’um grande exército de descontentes. E, com aquela viva clareza de propósito e segura tenacidade de execução, que constituem a sua força, encetou uma série de actos, que, terminando há tempos pelos massacres policiais de Muxungue, autorizam o seu líder e os seus Publicistas a considerar esse Partido como uma realidade esplêndida, de que gozarão os filhos dos homens sem justiça e sem escrúpulo que lhe lançaram as primeiras bases.
 
Esse movimento, segundo o traçaram nos seus largos contornos as publicações oposicionistas, estender-se-há de Norte a Sul e a vida dos moçambicanos, será a grande estrada d’agua até à Ponta Vermelha. De repente a Renamo ficou com razão em tudo. Perante esta ameaça virtual precisamos de desarmar a Renamo. Perguntais, qual é o nosso objectivo? Respondo-vos com uma única palavra – desarmamento. Desarmamento a todo o custo – desarmar a Renamo apesar de todos os terrores – desarmamento, por muito longo e difícil que seja o caminho, porque sem desarmamento da Renamo não há sobrevivência para a Frelimo e para os moçambicanos.
 
Discuti o exposto num espírito tão puro, claro e religioso. Os discursos da Renamo, que são muito violentos, conheceu-os o auditório. Que isto fique bem claro. Não haverá sobrevivência para Moçambique, para tudo aquilo que a nossa posição representou: sobrevivência da vontade, do impulso dos tempos, para que os moçambicanos avancem em direcção ao seu objectivo de prosperidade. Proteger o escudo dos moçambicanos - a Frelimo - deve ser o imperativo daqueles que desejam continuar a viver e prosperar em paz.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dinheiro e apenas dinheiro: Eis o problema da Renamo (*)

 
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Afonso-Dhlakama 605x230A liderança da Renamo acaba de confirmar, de forma tácita, que exige mais dinheiro do governo, para além dos três milhões de meticais (cerca de 100 mil dólares ao câmbio corrente) que, segundo o seu antigo secretário-geral, vem recebendo e que em 1992 se situava naquele montante e que agora pode ter sido incrementado no orçamento deste ano de 2013.
Este montante faz parte do que tem direito o Erário público como um dos três partidos com assento na Assembleia da República, o parlamento moçambicano.
A Renamo diz que precisa de mais dinheiro acima dos três milhões para para garantir a transição da sua antiga força militar em partido político de forma “tranquila e sem grandes sobressaltos”.
Esta exigência vem contida numa carta endereçada ao Executivo moçambicano, datada de 26 de Abril corrente, na qual solicita a retomada urgente do diálogo mantido entre as duas partes no ano passado e que veio a ser abandonado pela prórpia Renano alegando que não havia seriedade da parte do governo.
Na carta, a liderança da Renamo exige este aumento do dinheiro sob o argumento de que tendo “a Renamo sido signatária e parceira do Governo no AGP, não entende porque razão continua pura e simplesmente excluída do usufruto de toda a riqueza que é fruto da paz que ajudou a conquistar e manter durante estes vinte anos”.
Este extracto desta carta assinada pelo Dr. Augusto Mateus, Chefe do Gabinete do líder da Renamo, indica claramente que a Renamo sente-se no direito inalienável de desfrutar elasticamente das riquezas do país, apenas pelo facto de ter sido um dos signatários do Acordo Geral de Paz (AGP) de Roma em 1992. Digo elasticamente porque os três milhões que já recebe são provenientes dessas riquezas e não uma oferenda divina.
Os que tiveram acesso a referida carta, como foi o meu caso, interrogam-se como é que a Renamo exige mais dinheiro quando sabe que até serviços vitais para o povo de que tanto fala, tais como os serviços de saúde, funcionam com um orçamento exíguo e incapaz de garantir a assistência sanitária para os 23 milhões de moçambicanos.
No AGP, que evoca para que lhe seja pago mais dinheiro, a Renamo comprometeu-se a parar com a guerra que então movia ao serviço do então regime do apartheid da vizinha África do Sul, e que a usava como um dos seus tentáculos para tentar derrubar o governo moçambicano, apenas porque apoiava a luta que o povo sul-africano travava então para destruir aquele sistema diabólico considerado até pelas Nações Unidas como “um crime contra a humanidade”.
Muitas pessoas questionam se a Renamo exige que lhe seja paga pelo facto de ter movido uma guerra de desestabilização, que provocou a morte de um milhão de moçambicanos e reduziu o país às cinzas, o que dizer do outro signatário do AGP que soube defender esse povo que estava sendo dizimando por todos os meios possíveis por aquele antigo movimento rebelde?
Vincam que se o governo tiver que pagar a Renamo por ter deposto as armas e garantir a paz em Moçambique, não será legítimo que a Frelimo exija também que seja paga por ter sido um dos seus subscritores?
Ademais, caso se pague à Renamo, a Frelimo poderá ver nesse precedente razão suficiente para também exigir retroactivamente que lhe seja paga por ter subscrito o Acordo de Lusaka com Portugal, e que resultou na independência de Moçambique.
Muito embora seja temperada com argumentos e até sofismas com que tenta dar-lhe cores que tornem esta sua exigência aceitável, a liderança a Renamo diz que ela não está em condições de fazer a transição de uma organização militar para partido político.
“O processo de transformação de um movimento militar para um Partido Político, impõe a criação de um leque de condições materiais de vária índole com vista a assegurar uma transição tranquila e sem grandes sobressaltos”, diz a Renamo na sua carta.
A Renamo apresenta muitas outras exigências que deverão ser satisfeitas pelo governo e vinca que “para manter uma máquina como a Renamo, exige-se uma robustez financeira que passa, necessariamente, pela criação de condições concretas”.
É aqui onde a liderança da Renamo omite os milhões que foi recebendo ao longo destes 20 anos em que abandonou as armas e tentou transformar-se em partido político que agora diz que ainda não conseguiu ser.
Por isso, exige mais dinheiro. O mais grave é que nunca justificou a aplicação desse dinheiro.
Como já disse, a Renamo recebeu avultados fundos do Orçamento do Estado que lhe é canalizado pelo Tesouro em função do número de deputados na AR.
Esses fundos chegaram a ser bem mais chorudos quando tinha uma bancada de 119 deputados de entre os 250 que compõem o parlamento moçambicano.
Renamo-bandeiraO antigo Secretário-geral da Renamo, Viana Magalhães, confirmou em 2012 numa entrevista, pouco depois de ser substituído pelo actual Manuel Bissopo, que a Renamo recebia três milhões de meticais por mês.
Ele alegava que não era suficiente, pois a suas despesas estavam orçadas entre nove a 10 biliões. Mas nunca o partido justificou o destino dos três milhões, até ao ponto de nunca terem feito um único Congresso de relevo, contrariamente à Frelimo e o MDM que fizeram o ano passado congressos, apesar deste último ter pouco mais de dois anos de existência.
Além de não ter realizado nenhum congresso ou se transformado em partido politico, é o facto de Magalhães ter dito que a Renamo possui uma dívida estimada entre 20 a 23 milhões de meticais contraídas junto de várias instituições e pessoas singulares.
Na verdade, a Renamo não conseguiu transformar-se em partido político viável e robusto porque a sua liderança geriu mal o dinheiro concedido pelo Estado, bem como geriu mal todos os fundos que recebeu de outras fontes ao longo destes 20 anos, como os que amealhou da então ONUMOZ, ou seja, das Nações Unidas que, neste caso, supervisionaram durante dois anos a implementação do AGP.
A má gestão foi a causa que ditou a falência da Renamo e inviabilizou a sua transição de uma organização militar a partido político.
A prova de que o insucesso da Renamo deve-se à má gestão é o facto de o MDM, um partido com apenas dois anos de existência, estar a dar sinais que é melhor que a Renamo, apesar de possuir uma bancada muito reduzida e, por isso, uma fatia reduzida que lhe cabe do bolo concedido pelo Estado aos partidos políticos com representação na AR.
A Renamo sempre usou a sua força militar para exigir o que não tem direito á luz da lei. Este facto tem sustentação pelo seu passado bem documento num estudo da revista Africa Watch, publicada nos finais dos anos 90.
O estudo revela que o falecido multimilionário, Tiny Rowland, pagou ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para que este aceitasse deslocar-se a Roma e assinar o AGP com o antigo presidente Joaquim Chissano.
Com isso, Rowland queriam impedir a destruição dos seus empreendimentos em Moçambique e que eram geridos pela Lonrho Moçambique.
Nesse estudo, que eu tive acesso através de um dos seus autores, o conceituado académico britânico Alex Vaines, agora á frente da Chantam House em Londres, revela que Dhlakama assinou o AGP em troca do que recebeu, e foi essa a maior motivação para acabar a guerra em Moçambique.
Por Gustavo Mavie, da Agência de Informação de Moçambique (AIM)

sábado, 27 de abril de 2013

Afonso Dhlakama movimenta-se das matas da Gorongosa a cidade da Beira

Afonso_dhlakama-01x13x625x210O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, movimentou-se nesta quinta-feira das matas da Gorongosa a cidade da Beira, em Sofala.

É a primeira movimentação do líder desde que fixou residência nas matas da Gorongosa em Setembro do ano passado e a seguir aos recentes ataques em Muxúnguè protagonizados pelos seus homens armados.
Afonso Dhlakama chegou a cidade da Beira a noite, escoltado pelos seus militares. É um aparato militar enorme, que está a criar forte impressão no seio dos citadinos da Beira.
Desde que o público tomou conhecimento da presença do líder da Renamo na cidade da Beira vive-se ambiente de agitação na urbe, incluindo no seio das forças de defesa e segurança. Assiste-se a uma movimentação invulgar da Força de Intervenção rápida na cidade.
A cada lugar da cidade para onde o líder da Renamo desloca-se acompanhado de seus homens fortemente armados, estão presentes os elementos da FIR, num cenário que mostra que as duas forças estão prontas a confrontar-se, esperando apenas que um comece.
Dhlakama veio a Beira orientar as actividades políticas do seu partido.
 
O AUTARCA –26.04.2013
Fonte Aqui