sexta-feira, 24 de maio de 2013

Estamos a chegar ao fim de uma semana triste, assolada por uma terrível invenção humana sobre o desentendimento entre patrões e funcionários, a greve. Hoje em dia, é difícil ser-se optimista, não só porque o governo está no limite das suas capacidades mas também porque os grevistas refinaram os seus instrumentos de progressão. Mas deve-se ser optimista porque o país revela, dia após dia, não ser, de modo nenhum, uma frágil flor. A diversidade de opiniões em torno do mesmo tema é sinal claro de uma maturidade inquestionável.
Se a História ensina alguma coisa, ensina que a ilusão face aos factos adversos é uma loucura. Hoje em dia, vemos à nossa volta marcas do nosso terrível dilema – previsões do juízo final, manifestações anti-éticas e incerteza de como isto irá acabar. Qual é, então, o nosso caminho? Terá Moçambique que perecer sob a selvática tempestade grevista? Terá a liberdade dos doentes de definhar, numa acomodação passiva e muda ao mal totalitário?
A força do movimento grevista demonstra a verdade contida numa anedota que se conta em segredo na minha terra. Diz-se que quando um cego diz «vou-te bater» é porque pisou uma pedra. Os historiadores que no futuro analisarem esta semana observarão a constante moderação e intenções pacíficas por parte do Governo e a violência inicialmente tomada por alguns dos grevistas. Observarão que foram os grevistas que não quiseram seguir o caminho de diálogo. Observarão certamente que não foi o governo que fechou as morgues e os armazéns de mantimentos.

Como sair dessa?

Estamos a chegar ao fim de uma semana triste, assolada por uma terrível invenção humana sobre o desentendimento entre patrões e funcionários, a greve. Hoje em dia, é difícil ser-se optimista, não só porque o governo está no limite das suas capacidades mas também porque os grevistas refinaram os seus instrumentos de progressão. Mas deve-se ser optimista porque o país revela, dia após dia, não ser, de modo nenhum, uma frágil flor. A diversidade de opiniões em torno do mesmo tema é sinal claro de uma maturidade inquestionável.
A força do movimento grevista demonstra a verdade contida numa anedota que se conta em segredo na minha terra. Diz-se que quando um cego diz «vou-te bater» é porque pisou uma pedra. Os historiadores que no futuro analisarem esta semana observarão a constante moderação e intenções pacíficas por parte do Governo e a violência inicialmente tomada por alguns dos grevistas. Observarão que foram os grevistas que não quiseram seguir o caminho de diálogo. Observarão certamente que não foi o governo que fechou as morgues e os armazéns de mantimentos.
Se a História ensina alguma coisa, ensina que a ilusão face aos factos adversos é uma loucura. Hoje em dia, vemos à nossa volta marcas do nosso terrível dilema – previsões do juízo final, manifestações anti-éticas e incerteza de como isto irá acabar. Ao mesmo tempo vemos forças totalitárias que compram Jornalistas que fomentam a sublevacao  e o conflito em todo o país para promoverem o seu bárbaro assalto ao espírito humano. Qual é, então, o nosso caminho? Terá Moçambique que perecer sob a selvática tempestade grevista? Terá a liberdade dos doentes de definhar, numa acomodação passiva e muda ao mal totalitário?
O governo recusou-se a aceitar a inevitabilidade da greve sob uma chantagem. Pois é exactamente esta a nossa missão hoje: promover a harmonização dos benefícios sociais. Ironicamente, os grevistas não tem razão. Estamos a assistir actualmente a uma grande crise, uma crise em que as exigências de ordem económica chocam directamente com as de ordem ética. Mas a crise não está a acontecer no Governo livre, e sim na pátria da revolta: na AMM. É a AMM que rema contra a maré da história ao negar a liberdade de irem trabalhar aos seus associados. É a AMM que tem vergonha de como sair dessa sem um compromisso.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Serão as armas e convulsões sociais uma via viável para resolução de problemas?

É comum ouvir-se que a Frelimo está no poder há muito tempo sem nenhuma mudança. É comum ouvir-se que o povo moçambicano tem medo de alternância do poder. É comum ouvir-se que a Frelimo é a causa da pobreza em Moçambique. Se você ama Moçambique, se você deseja um Moçambique desenvolvido, se voçê deseja que a corrupção acabe, fique de prontidão – na sombra da escuridão, lá bem ao fundo da caverna, está em forja um golpe institucional contra a soberania dos moçambicanos decidirem o seu rumo. Não se trata de um golpe militar, mas sim, económico, com apoio declarado de algumas bocas nacionais. Com base em pretensos anúncios da corrupção se quer desmoralizar o Governo na sua luta contra ela.
 
Eu não concordo que somos pobres porque temos medo ou que sejamos medrosos. A pobreza não tem relação com o medo. Lembrem-se que um país civilizado (Japão) ficou sob o tecto do mesmo partido (salvo poucos meses) por 54 anos mas ninguém reclamou que a idade em que um partido está no poder é proporcional a inércia do desenvolvimento do país em causa. Que se lembrem os que querem atiçar a desordem que a Frelimo se debate não apenas com o combate ao subdesenvolvimento, como também ao processo de construção da nação, defendendo a soberania. As visões da teoria de desorganização social ganham cada vez mais terreno com facilidade, mas não levem a Frelimo a mal, porque não é culpada de ser escolhida pelo voto popular. Ela não escava abrigos para abrandar a guerra; o seu objectivo é avançar sempre sem dar tempo ao adversário para escavar o abrigo dele. A Frelimo vai ganhar esta guerra a combater e mostrar a todos que é mais corajosa do que os seus adversários são ou virão alguma vez a ser. Pode rir, pode ouvir mas ceder ao adversário político derrotado, NÃO, NUNCA.

Alguns clamam o derrube do governo por vias desonestas, através de golpe militar, sublevação popular ou coisa parecida, como se não tivessem familiares nesta terra. Quando os projécteis choverem à volta deles e eles, ao limparem o rosto da sujidade, descobrirem que em vez da sujidade é o sangue e as tripas do seu melhor amigo ou parente, nesse momento, saberão o que fazer e o que dizer! O povo moçambicano não quer voltar a guerra. Não estou a revelar um segredo quando digo que o povo moçambicano não quer voltar a guerra. É difícil aos que não concordam com o rumo do país renunciarem às suas perigosas e infrutíferas tentativas para ditar as suas vantagens. A Frelimo vai avançar constantemente porque o seu plano operacional básico é avançar e continuar a avançar, não importa se por cima, por baixo ou através das linhas do adversário.

De vez em quando vão haver algumas queixas de que estará a exigir demasiados esforços aos seus membros e simpatizantes e ao povo em geral. Mas estaremos nas tintas para estas queixas, na velha e sábia regra que diz que «uma onça de suor poupa um galão de sangue». Quanto maior for o nosso esforço, mais unidade garantiremos e menor será o risco da oposição vender a pátria. É chegado o momento de reconhecer que a escolha de uma forma particular de vida é uma questão que diz respeito a cada povo. Só os homens que agem de má-fé podem pensar em resolver a questão da pobreza pela força das armas. A Frelimo considera razoável e justo criar condições necessárias à reforma do funcionamento da economia de modo a abranger a todo o país para mudanças e melhorias num futuro imediato; e isto é visível a todos, excepto aos que propositadamente se vestiram de óculos de madeira para não serem testemunhas oculares do progresso em marcha.
 
Pedro MAHRIC

terça-feira, 21 de maio de 2013

Aos destinatários não revelados

i) Será verdade que não há diálogo político genuíno no nosso caso? É verdade. Há razões históricas para tal. Duas forças que se conhecem as animosidades íntimas dificilmente estabelecem a confiança genuína. Nós sabemos que manter o diálogo representa para as duas forças tão grande sacrifício que por favor ou amabilidade o não fariam a ninguém. Fazem-no ao bem do país como dever de consciência serenamente cumprido. A Frelimo e a oposição não tomariam, apesar de tudo, sobre elas esta pesada farda de diálogo armado, se não tivesse a certeza de que ao menos poderia ser útil a sua acção política. Querem que a Frelimo vos confie quando não o fazem vós mesmos. O ser genuíno depende da confiança e esta da reciprocidades.
ii) Não é verdade que as instituições estão partidarizadas e precisamos de nos livrar dessa situação? É uma miragem, uma questão a equacionar no futuro, quando estiverem asseguradas as condições dum trabalho eficiente. Há, na partidarização das instituições públicas, uma vontade decidida de regularizar por uma vez a nossa vida política e com ela a vida económica nacional. Nas actuais circunstâncias é prematuro falar-se em outra coisa senão confiança política, garantindo, em simultâneo, as execuções das tarefas e o sossego geral povo. Se o povo não possui vida condigna não é porque é governado por um partido incapaz, mas porque um Estado Soberano foi explorado durante 16 anos por um mundo ávido de despojos.
iii) Não é verdade que os processos eleitorais não são transparentes? É verdade e juntos podemos encontrar saída que não a proposta pela Renamo em retirar a SC. Podemos avançar para uma Comissão Independente, por exemplo. Porém, isso só é possível por efeito de uma varinha mágica porque o nosso interlocutor não está interessado em ver os independentes na conjuntura actual. Claro que nós também temos culpa no cartório sobretudo quando retiramos toda a razão em tudo o que sai do lado oposto, quando pensamos que o outro deve ser abatido, por ser outro e quando pensamos que o voto da minoria deve abafar-se no da maioria.
- Não é verdade que a exploração dos recursos naturais não é transparente? É verdade e constitui a causa de todo o descontentamento e ódio que tende a propagar-se. Pouco mesmo se conseguirá se o país não estiver disposto a acompanhar a forma como muitos contratos são feitos e como, aos poucos, o país vai sendo vendido. Faz pouco sentido que quem não estará nesta terra nos próximos 20 anos, pela lei da natureza, esteja a hipotecar o país aos chineses por meio século, criando problemas para os nossos filhos e netos. O pior é quando tal não é transparente. Devemos confiar na nossa inteligência de cidadãos e denunciar as covas abertas.
Debalde porém se esperaria que milagrosamente, por efeito de ameaças, a Frelimo mudasse as circunstâncias da vida nacional. É preciso contar com a Frelimo e acompanha-la com confiança na sua honestidade de querer desenvolver o país – confiança absoluta mas serena, calma, sem entusiasmos exagerados nem desânimos depressivos. O povo confia na Frelimo para ser o juízo da situação e quem odeia a Frelimo também, por efeito dominó, odeia o povo. A Frelimo sabe muito bem o que quer e para onde deve ir o país, mas não se lhe exijam que chegue ao fim quando os recursos ainda estão no subsolo, no tempo de investimentos e não de exploração. Finalmente, o ódio para com o Sul não é bem-vindo para a Unidade Nacional.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A retaguarda dos chantagistas e o poder da conspiração!


Dizem-nos que os médicos irão vencer. Iludimo-nos pensando que, pela força de medidas extremas, poderíamos ensinar o governo a cair em erro deliberado de fazer o impossível. Acredito que a maior parte dos moçambicanos assiste com algum desconforto aos julgamentos públicos que acabam de ecoar desde as montanhas de Mueda às planícies de Gaza e prosseguem noutras latitudes. Muitos compatriotas começaram por terminar com a condenação antes do julgamento, mas ninguém pode ser julgado segundo uma lei ex post facto. O julgamento dos vencidos pelos vencedores nunca é imparcial, independentemente de ser vestido com as vestes da lei. Pergunto-me se o aumento salarial daqueles que mal prestavam serviço, apesar de possuírem meios modernos, porque a trabalharem nas cidades, irá encorajar um atendimento digno aos doentes à partida condenados a todo o tipo de humilhações cuja existência o senso comum tende a ignorar. Toda esta greve está sendo promovida por um espírito de vingança, e a vingança raramente é sinónimo de justiça. A morte de mais pacientes constituirá uma nódoa no cadastro moçambicano, que lamentaremos durante muito tempo. Ao vestir a greve com as vestes do processo legal, corremos o risco de desacreditar, por muitos anos, todo e qualquer conceito de legalidade. Em última análise, mesmo depois de mortes terríveis havidas no passado e que nenhum jornalista quis fazer uma investigação séria para trazer ao púbico e consumir mas que agora voltam a carga para difundir o sucesso da greve, deveríamos olhar para o futuro com mais esperança e até os nossos adversários acreditassem que nós os tratámos com justiça.

Está a ficar cada vez mais claro que a falta de vocação para um determinado serviço é proporcional à falta de paciência e sensibilidade. Como pode ter acontecido que a nossa gloriosa classe médica tenha esquecido do seu dever e entregue vários dos seus juramentos ao braço alheio em troca de bens mundanos? Será mesmo verdade que a classe médica é invencível, como gabam incessantemente os propagandistas da oposição? É claro que não. A História mostra que não há classes profissionais invencíveis, e nunca houve. Existe um conluio entre um pequeno número de médicos com um pequeno número de políticos. Um conluio que a imprensa faz de conta que não existe. Os segundos querem usar os primeiros sem que aqueles descubram estarem na posição de para-choques. A aparição de alguns políticos que tinham desaparecido é um sinal claro. Mas não é tudo! As reuniões cobertas de secretismo entre alguns médicos com alguns políticos é outro sinal. Mas ainda não é tudo! A calma numas cidades e a violência noutros locais é algo astuciosamente pensado. Como se justifica que em vésperas de uma greve anunciada tenha havido uma reunião entre partidos fora do poder e os futuros grevistas, sem que tal tenha sido publicitado como exigem as boas maneiras, mesmo pela imprensa mais próxima da oposição por isso privilegiada a ter notícias em primeira mão? Os políticos inconformados com a táctica da sua luta encontraram nos médicos uma esperança renovada, capaz de roer aos poucos os alicerces do governo, alicerçados no povo e dele emanados.  

Os políticos querem obrigar o governo a fazer pequenos reparos aqui e ali de modo a propagar o veneno de pequenas greves até que o país se torne ingovernável. E encontraram nalguns médicos, interessados em desenvolver o seu negócio de clínicas privadas, homens corajosos, capazes de pôr o governo de joelhos, o governo emanado do povo. É esta a associação médica que temos: a reparar a sua imagem sem se dar conta da imagem do vizinho. Tomemos como exemplo, a PRM. Que distância separa o salário do médico do de um polícia e entre estes quem trabalha mais? É esta a associação médica que temos: a obrigar o criador a renegar a criatura. Compatriotas! É certo que o nosso governo está a ser esmagado pela força astuciosa do inimigo. Um grande perigo paira sobre o nosso país. E, não é que encontra colaboradores internos prontos a recebê-lo com sorriso nos lábios! Muito mais que o seu número, são os truques e a táctica que nos faz recear o pior.  Foram os truques e a táctica do passado que surpreenderam o nosso governo a ponto de o levarem onde está hoje. Mas estará dita a última palavra? Deverá a esperança desaparecer? Será a derrota definitiva? Não! Acreditemos em nós mesmos que falamos com conhecimento de causa e que dizemos que nada está perdido. Porque o Governo não está sozinho nesta batalha! Não está sozinho! Não está sozinho! Tem um vasto império atrás de si. Podia o Governo tomar medidas extremas que levem parte dos grevistas para o desemprego, mas não o fará pois é disso que os astutos precisam para justificarem o caos.

Pode formar um bloco com os seus parceiros de cooperação e redesenhar as vias mais drásticas, renegando a criatura, mas não o fará por reconhecer o povo o direito à indignação. Esta batalha não está perdida! Esta greve não é apenas contra o governo! É uma greve de renegação do dever! É uma greve contra o povo moçambicano. Esta greve é mais uma estratégia para forçar o povo a estar contra o próprio governo. A este respeito, não é de somenos o facto de alguns líderes da oposição guardarem o silêncio enquanto outros saem esporadicamente, menosprezando os esforços conseguidos pelo Governo ao elevar o salário dos médicos para 15%. Naturalmente, o nosso Governo amante da paz e não desejando tomar a iniciativa de quebrar a confiança, não poderia recorrer a uma perfídia.  O Governo não traiu a ninguém! Apenas não pode dar o que não tem e nem pode cunhar mais dinheiro para dar aos médicos sob pena de zimbabweanizar Moçambique, com uma inflação galopante. Poderá perguntar-se: como pode o Governo moçambicano ultrapassar este imbróglio? Terá sido um erro ter prometido que havia de dar soluções na concertação social, no mês de Abril? É claro que não! O Governo não disse da primeira vez que havia de satisfazer em 100% as reivindicações dos médicos como querem dar a entender os vendedores da esperança. Creio que nenhum governo amante da paz poderia dizer «NÃO» a uma contraparte no momento H de tensões, mesmo se esta contraparte fosse liderada por demónios e canibais. Deve o Governo rescindir o contrato com os que não querem trabalhar? Por enquanto não, mas não é de pôr de lado.

O que é necessário para pôr fim ao perigo que paira sobre o nosso país, e que medidas devem ser tomadas para envergonhar aqueles que estão atrás dos médicos com segundas e terceiras intenções? Acima de tudo, é essencial que o povo compreenda toda a magnitude do perigo que ameaça o nosso país e abandone todas as falsas espectativas criadas em volta da riqueza que ainda não temos. Esta ideia de riqueza foi mais difundida pelos escribas da oposição e difundidas pelos seus meios de propaganda. Se o Governo fosse rico, não lhe custaria aumentar o salário conforme o desejo dos médicos para continuar a usufruir do que dizem ser o resultado dos impostos do povo. O adversário do regime é astuto, cruel e implacável a ponto de mandar fechar casas mortuárias e armazéns de comida hospitalar! Ele apodera-se dos corações mais sensíveis com intenções de apoderar-se do poder por vias menos legítimas, esquecendo que este Governo está dentro do prazo de validade. O povo deve erguer-se não contra os médicos, mas contra os incitadores dos médicos, os arquitectos morais de tudo isto! Se o povo deve estar alerta, os membros do partido no poder devem combater até à última gota do sangue pelas causas consideradas justas. O país tem leis e em tudo deve, para a função pública, reger-se por leis. Se me perguntassem qual era a minha opinião em relação ao aumento salarial aos médicos, responderia que não se lhes deve aumentar porque tal iria abrir precedentes perigosos para outras classes profissionais. Mas porque sou apenas uma cabeça, acatarei a decisão que for tomada. Temos que fortalecer a retaguarda e nunca ceder chantagens.
 
Pedro MAHRIC
 
Anexo
 
Texto de David Mauricio Bamo

“AS HIENAS TAMBÉM SORRIEM”

As Hienas Também Sorriem: Um efeito dominó para muitas “classes”

As Hienas Também Sorriem é o mais recente brinde literário do Contista e dramaturgo, representativo da novíssima prosa moçambicana, Aurélio Furdela. O livro não é feito só de contos, assim como de canções de angústia sadicamente cantadas por diversas forças vivas da sociedade.... Isto porque as fábulas da obra retratam o dia-a-dia de qualquer moçambicano, é como se de Marrabenta clássica de Moçambique se tratasse. Uma Marrabenta que exaltação das nossas vitorias e desgraças.

Por outro lado, o livro remete-nos a hipocrisia caracterizada pelo sentido metafórico do seu título, As Hienas Também Sorriem. Pois bem, como é possível? Hienas seres selvagens tão perigosas, sem humanismo possível para sorrirem, mas que na prosa “cronística” Furdeliana aventurada nos contos, vão mostrar os seus perigosos dentes.

Na nossa óptica a abordagem de Aurélio Furdela não é essencialmente uma carta de amor aos doutores deputados, porque o efeito dominó é extensivo à muitas classes. Quantas vezes não vimos gente falsa com sorriso largo, a engatar inocentes pelo cifrão, padres que estupram crianças, jornalistas que vivem de comissões, ganância assassina que leva os médicos a abandonarem os doentes, meia a volta, estas todas classes quando o assunto é a protecção do estômago faz-se de vitima, e num outro ângulo, finge um profissionalismo inexistente. E nós perguntamos quem são essas hienas que sorriem? É o que Roberto Chitsondzo chamaria de Katina P, ou seja, todos os esforços que se opõem ao desenvolvimento. Há aqui uma falsidade que mata, arrogância que mata, estupidez que mata, individualismo que mata, e esses actos macabros, quem leva a cabo? São de homens e mulheres desta terra libertada com suor, sacrifício e sangue. Não obstante, e me socorrendo na música Sathani dos “Bons Rapazes”, tiramos vida uns aos outros por causa do morango – o dinheiro. E de novo perguntamos quem são essas hienas que sorriem? Se quem se diz apoiar o país “prostitui” o povo, agita extremismo. Dão-nos balas que matam. E quem ganha? São as hienas.

Todos ambiciosos, individualistas, extremistas e tantos outros terão que ser as hienas furdelianas que sorriem pelo cifrão. A isto chamaríamos, pobreza de espírito.

domingo, 19 de maio de 2013

Teorias da ajuda externa




O argumento de existência de uma motivação comercial assenta na ideia, geralmente aceite, e que pode ainda defender-se, de que os países subdesenvolvidos representam simultaneamente fonte insubstituível de mercadorias e de matérias-primas essenciais e um mercado indispensável para uma parte das exportações das nações industriais.

De acordo com este prisma, para manter e desenvolver o sistema de trocas internacionais é indispensável assegurar a interdependência entre os países ricos e aqueles cujos rendimentos são fracos. Porém, os críticos reconhecem que o comércio mais rentável faz-se cada vez mais entre ricos e incide sobre artigos manufacturados[1].

A variante comercial da ajuda externa considera que nos países pobres se encontram certas mercadorias e matérias-primas em condições mais vantajosas, do que as oferecidas pelas fontes concorrentes dos países ricos, e que os seus mercados até podem oferecer possibilidades consideráveis.

 


A argumentação estratégica da ajuda externa compõe-se de vários elementos ligados entre si partindo do mais simples ao mais complexo. Na sua forma mais simples, diz que num mundo onde reina a concorrência entre as grandes potencias, a hostilidade de um estado subdesenvolvido pode leva-lo a conceder privilégios militares a um estado ou grupo de estados ricos, em detrimento dos outros. Inversamente, a cooperação estreita com um país pobre pois pode ser causa de concessão de facilidades portuárias, de bases aéreas, terrestres ou electrónicas, e/ou, em caso de guerra, levar à oferta de um apoio estratégico ou mesmo a uma aliança para ajudar o esforço dos países amigos ricos. Há projecções ideológicas para este argumento. Os regimes que se identificam com as projecções ideológicas de um país rico tem mais possibilidades de ouvir as suas advertências, de se regularem pelas suas atitudes políticas ou de aprovarem, ou favorecerem, os seus actos que implicam pressão psicológica ou física. Finalmente, os estados pobres ideologicamente de acordo são mais susceptíveis do que os outros em concederem aos investidores privados das potências ricas um tratamento de preferência, e assim de combinarem os elementos que os mantêm na esfera de influência das grandes potências em causa[2].

A ajuda externa visa também responder ao desafio da continuidade, à violência e à ameaça perante a ordem internacional. O progresso económico, segundo seus apologistas, produz regimes maduros e estáveis e contribui assim para uma política indispensável de garantias contra o progresso do caos e a desintegração das relações internacionais ordenadas. Isto começa a estar ameaçado por acontecimentos ocorridos em diversas regiões subdesenvolvidas do mundo. Há guerras locais que ameaçam criar complicações internacionais, com um crescimento no andamento e na intensidade de violência que traz consigo actos como as sabotagens de instalações essenciais, os raptos, actividades perante as quais a estrutura complexa de países desenvolvidos é particularmente vulnerável.

A estratégica está, igualmente, para responder a possibilidade de os países pobres se equiparem com armas relativamente baratas mas altamente eficazes, biológicas, bacteriológicas, químicas e de destruição em massa e mesmo nucleares, até serem necessariamente governados por homens razoáveis[3]. Mas os críticos consideram que todos estes argumentos não são suficientemente capazes de legitimar a ajuda externa. Eles notam que o auxilio externo raramente provoca a gratidão e pode até originar o efeito contrário, como ficou patente nas relações União Soviética-Indonésia, França-Argélia ou Estados Unidos-Paquistão[4].

Quantos às afinidades ideológicas, elas só podem ser duradoiras se se apoiarem numa concordância espontânea e eficaz de opções, porque a imposição de preferências ideológicas engendra, inevitavelmente, uma oposição interna, capaz de enfraquecer a colaboração, fazendo-a descer até abaixo do nível que teria alcançado sem interferências. Em todo o caso, todos os que apoiam fazem-no na suposição de que o auxilio económico produza resultados imediatos, e consequentemente, um compromisso proporcionalemtne rápido.

Resultados da experiencia mostram que na maior parte dos casos, o desenvolvimento é tão lento que o seu resultado ideológico e para os doadores, apesar de trazer proveitos a curto prazo, a duração do entendimento fica ameaçada sempre que ultrapassa o interesse evidente do pais receptor. Como notou MENDE (1974) «não se pode pôr-se completamente de parte a possibilidade de um país subdesenvolvido empregar armas modernas e altamente eficazes contra uma potencia industrial, mas por causa das represárias destrutivas que inevitavelmente provocaria é difícil imaginar que indivíduos raciocinando logicamente pudessem tomar semelhantes decisões.

Se assim fosse, era igualmente improvável que uma simples ajuda económica, ou outras vantagens materiais, desviassem esses indivíduos dos seus actos absurdos. No entanto, não pode excluir-se a possibilidade de qualquer das potências militares da zona norte considerar vantajoso para se levar um pequeno país ao suicídio, para servir o seu plano de causar embaraços às outras grandes potências[5].

 


Segundo os apologistas desta corrente de pensamento sobre ajuda externa, as clivagens rico-pobre podem fazer com que os desenvolvidos enfrentem um dia a cólera dos pobres à escala internacional e não já a nacional. Perante isso, existe uma indignação moral legítima perante a situação existente nos países pobres, e que retira, ou até mesmo substitui a serie vulnerável de argumentos económicos, políticos e militares duvidosos, evocados habitualmente em nome da cooperação, mais avançados entre os mundos rico e pobre.

Segundo o argumento moral da ajuda externa, existem nos países abastados milhões de indivíduos cuja imaginação vai até ao ponto de conceber a decadência dos sofrimentos daqueles que vivem nos países longínquos. Estes indivíduos acham-se sensíveis a uma obrigação moral com sentimento de culpa devido, em parte, a responsabilidade colectiva do passado colonial e a consciência parcial que tem de beneficiarem de uma ordem internacional que tende a prolongar ou mesmo a reforçar a exploração[6].

Por detrás desta obrigação moral, existe um receio secreto de que o aumento dos pobres possa conduzir a que os abastados sejam uma minoria impotente. Devido a este facto, o sentimento de solidariedade aumenta visando atenuar as consequências que possam advir do isolamento psicológico dos ricos para com os problemas dos pobres. Por isso, o argumento moral da ajuda externa, revelou-se mais eficaz para mobilizar a opinião pública em favor do auxílio[7].

Tornou-se evidente, no meio da massa abastada, que os governos que prestam auxilio económico, usam meias verdades para atingir os fins o que faz com que as maiorias privadas de acesso material estejam cada vez mais conscientes das suas privações. A tomada de consciência dos pobres resulta na rejeição consciente da ideologia assim como dos valores do mundo materialmente avançado, pondo em causa qualquer código universal de valores humanos[8].

A minoria próspera tem de fazer frente ao principal perigo que é o reflexo defensivo dos pobres que procuram atingir e igualar os níveis de vida que em determinado momento histórico são privilégio da minoria. A ajuda externa moralmente cedida seria um caminho andado para atenuar os conflitos entre uma minoria imensamente forte e materialmente bem avançada com uma multidão miserável, vulnerável e cada vez mais impaciente.



[1] Ibdem
[2] MENDE, Tibor. op. cit., 1974:19
[3] Idem, op. cit., p. 20
[4] WOLF, Martin, Why This Hatred of the Market? Financial Times, May, 1999:87
[5] MENDE, Tibor. op. cit., 1974:20
[6] WOLF, Martin, Why This Hatred of the Market? Financial Times, May, 1999.
[7] LECHNER, Frank J., BOLI, John. The Globalization, Reader, Blackwell Publishers, Oxford, 1999:98
[8] MENDE, Tibor. op. cit., 1974:24

domingo, 12 de maio de 2013

A Frelimo e os ventos da História

Tenho visto a oposição desenvolver esforços consideráveis no sentido de mobilizar o país contra a Frelimo, agora instalada à ilharga dos lares dos seus próprios líderes. Mas o certo é que não falta quem veja nessa atitude uma clara luta contra os ventos da História, que ela própria parece ter visto soprar com alguma indiferença, senão tranquilidade, sobre Pemba, depois sobre Cuamba, parecendo apenas inquietar-se seriamente quando chegou às suas portas, naquele 18 de Abril, aquilo que, em face do enorme desastre já consumado, pode chamar-se uma ligeira brisa. Tínhamos visto profetas profetizando o fim da Frelimo mas a história registou o princípio do fim da oposição. Naquele dia de glória, a prontidão das forças de segurança, evitou o pior que tinha sido arquitectado sob a cortina de ferro. Jovens instrumentalizados acabaram parando em tribunais em processos que o bom senso poderia evitar e que franja da oposição insistiu que acontecesse. A política que tem levado a estes resultados é a que nós chamamos de reaccionária, porque justamente é caracterizada pela mesquinha defesa de interesses exclusivos, sem respeito pelos interesses daqueles mesmos que mais de uma vez foram chamados a honrar com o sangue do seu povo a fidelidade ao que supunham ser a mesma concepção de vida.

Tal como profetizaram naquele tempo, eis que hoje, os mesmos videntes fracassados de ontem aparecem com esperança renovada, não se sabe como e de onde. Do ponto de vista daqueles a quem o acaso confiou a liderança da oposição, não é a extensão dos insultos e acusações falsas nem enganosas promessas ao povo que dá aos ventos a dignidade de ventos da História. A Frelimo tem optado por colocar em cargos de chefia as pessoas de sua confiança tal como tem acontecido nos municípios sob gestão da oposição. Parece-nos contraditório que esta, que nunca colocou nenhum frelimista nas suas hostes, venha de boca cheia sugerir a Frelimo para colocar os seus quadros na função pública, os quais, no estado actual, só poderão contribuir para a sabotagem e fragilização do poder central e dos objectivos preconizados. Por isso temos certa dificuldade em entender que, não aceitando esse critério para uso próprio, o vejam como bom para os outros. A oposição precisa não apenas entender mas sobretudo compreender que actualmente é a Frelimo quem governa Moçambique com uma agenda por si feita que não contempla governo de unidade nacional. Tanto que insista em que a Frelimo deve melhorar, tomando como exemplo apenas o número de vezes que já faliu a presença dos partidos da oposição em Moçambique, cabe ao povo decidir e acompanha os ventos da história quando se recusa a contribuir voluntariamente para a catástrofe geral da oposição nestas paragens.

Eu entendo que a falência sucessiva dos esforços desenvolvidos, directamente ou sob algumas ONGs, para conter a expansão frelimista, demonstra a injustiça da causa que continua a convencer-nos a todos da oportunidade de sacrificar muitos dos nossos recursos a manutenção da democracia, e por isso também entendo que a falência sucessiva da oposição demonstre a injustiça da causa a que temos sacrificado o melhor nas nossas energias, interesses e capacidades. Pelo contrário, sabemos pela experiência que todos estes desastres se têm somado em benefício do adversário comum, a pobreza, e por isso, entendo que se trata do mesmo processo de erosão cuja vítima final é Moçambique e, com ele, tudo quanto no país representa a expressão do espírito nacional. Não consigo encontrar motivos para supor que é a partidarização do Estado que trava o avanço da oposição quando somos um país com mais de 20 milhões de almas e não consigo descortinar motivo que nos leve a aceitar como razoável uma diversidade de atitudes em relação a interesses cuja perda beneficiará sempre o nosso adversário político. A oposição esqueceu-se de um aspecto fundamental do problema, o qual se traduz na íntima e vital relação que existe entre certos valores da política nacional e subsistência do povo que sempre lhes prestaram homenagem. Quando o povo escolheu a Frelimo já existia a partidarização da função pública enquanto ela lutava para criar um ambiente de coexistência política sadia com aqueles que a não aceitam!

Ora este dado fundamental da problemática da coexistência política foi uma constante da acção governativa, que considerou sempre igualmente válidos os direitos dos simpatizantes da oposição e os direitos dos partidos a que naturalmente pertencem. Considerou-os sempre igualmente válidos como valores que devem ser preservados por fazerem parte do património comum da moçambicanidade e não como simples valores instrumentais facilmente substituíveis por outros ao serviço de novos interesses. Mas isto não significa que seja a Frelimo a torcer a corda com que se enforcar. Pelo contrário, ela tem o direito de procurar os melhores antídotos contra a praga de calúnias que lhe vêm de todos os cantos. Que seja a oposição a apontar as vias pelas quais se deva processar a despartidarização do Estado, ao invés de só criticar e sem nenhuma sugestão. A experiência da Frelimo é também alguma coisa de importante que deveria ser tomada em conta pelos sábios e perplexos encarregados de definir um novo esquema para a coexistência política, e que até agora não conseguiram senão alargar as possibilidades de conflitos de interesses. Dizendo isto, antecipo de alguma maneira a resposta à questão que muitas vezes me tem sido posta de saber porque é que a Frelimo teima na manutenção da sua política de alargamento de células, e até a questão de saber porque é que a Frelimo não abandona partidarização do Estado. É porque parece mais claro a oposição estar só a criticar sem trazer soluções aos problemas que ela mesma levanta. No lugar de propor soluções esforça-se em levantar cada vez mais problemas.

Acusa o partido no poder de imobilismo em face de um mundo em mudanças e também não faltam acusações no sentido de que a sua persistência se traduz numa política arrogante. O quadro destas acusações não fica mais negro se acrescentarmos que vêm dos dois lados da cortina de ferro que representam a nossa oposição, o que por vezes parece assumir o aspecto de uma unanimidade condenatória impressionante. Ninguém estranhará, por consequência, que a Frelimo muitas vezes se sinta a si própria como uma espécie de Berlim, igualmente cercado pelo ódio e pela fraqueza, e todavia levantando com teimosia, mas também com coragem, a bandeira da liberdade. Em primeiro lugar, não entendo que se acuse de imobilismo um partido que sustenta ser necessário que o espírito da unidade nacional continue a projectar-se em todas as famílias e aceita que se considere dinâmica a política que os outros partidos desenvolvem na arena nacional. Compreendo que sentimentos de pudor nacional levem a chamar dinâmica à prática de abandonar rapidamente todos os pontos onde surge uma ameaça do inimigo e de abraçar atitudes ditatoriais como tem acontecido na oposição, aconteceu na primeira geração de partidos; e também na segunda e parece que começa a acontecer num partido da terceira geração que há semanas advogava um esplêndido exemplo de democracia. A nós, que somos um partido simples mas secular e com pouca experiência dessas subtilezas, tem-nos parecido que esse dinamismo se traduz no abandono dos ideais, na fuga às responsabilidades, na quebra da palavra dada, no progresso da perda da dignidade do homem numa extensão com poucos precedentes na História. Em resumo, ausência de uma agenda contínua!

Por outro lado, tenho a convicção de que a Frelimo representa uma notável conquista dos moçambicanos e recuso-me a aceitar o carácter progressivo da nova política que a vê em tudo o que é grupo social, transpondo para um plano nacional lamentáveis exemplos de tragédia partidária em que ser da Frelimo passa a ser crime. Tenho a certeza de que alguns dos nossos amigos suspeitarão que esta observação diz respeito à sua estrutura social interna enquanto membros de respectivos partidos e não me custa dizer que não estão enganados. E também gostaria que esses amigos, a quem as circunstâncias atribuíram uma chefia que porventura não desejaram, mas de que se dizem orgulhosos, tivessem a bondade de dizer, com clareza igual, que a experiência lhes mostra que a sua política começou por erros que se foram corrigindo com o tempo e que agora ainda não se encontram minimamente preparados para enfrentar a gigantesca máquina frelimista. Como os factos são estes, não é de estranhar que se tire a conclusão de que andaram à procura de uma experiência política baseada na destruição prévia dos alicerces legítimos dos partidos alheios. Pouco importa que se tenham inventado novos nomes para esconder a sua dependência aos seus patrões estrangeiros, mas importa muito sublinhar que a Frelimo foi e está a ser expelida em favor dos interesses de patrões estrangeiros, os mesmos que pagam as cotas para milhares de pueris que se dizem membros mas que nunca contribuíram com um único centavo para cotas partidárias e sem qualquer proveito para os moçambicanos. Ainda é conveniente sublinhar o seguinte: que o proveito tem sido maior para a oposição, a qual conta com o apoio governamental para fortificar as suas acções.
 
Pedro MAHRIC