Os Factos e a Verdade: História
segunda-feira, 10 de junho de 2013
sexta-feira, 7 de junho de 2013
As promessas do Boi Inteligente
Virou moda, nos dias que passam, encontrar pessoas que buscam felicidade barata ridicularizando os outros e intrometendo-se na vida alheia. Falar mal do partido no poder identificando-o com o veículo de todos os males, tem sido visto como acto incontestável de coragem, símbolo de esperança cimentada nas promessas. Aos poucos, os anónimos saem da clandestinidade para ajudarem a construir o muro da incompreensão, numa luta renhida na qual todos os meios são bons. A seus olhos, até parece um disparate jurídico quando os outros dão a cara em defesa dos seus ideais. Os primeiros actos da tragédia do desmoronamento dos seus argumentos fazem-me pensar possuírem o corpo de um boi com o coração de galinha.
A minha avó, Lúcia, para incentivar a importância de respeitar e aconselhar aos que prometem mudanças, recomendava-nos recordar da fábula do Boi e do Passarinho, mesmo que para isso tivéssemos de sofrer humilhações. Avó, sempre começava assim: Era uma vez, um Boi inteligente cujo único defeito era o de não conhecer o que era Consciência;… a cada pausa nós respondíamos: «estamos juntos» e ela continuava. Aquele boi utilizando-se da inteligência em benefício próprio humilhava os colegas domésticos, sempre que o desejasse incluindo os mais velhos e até as autoridades. Pela inteligência granjeou apoio de habitantes da fazenda desde os porcos, passando para os cães, cabritos, patos, galinhas e ovelhas. A todos prometia mudanças, jurando-se capaz de sacrificar o próprio estômago em benefício dos outros, sofredores cujas grilhetas eram forjadas pelo proprietário da fazenda.
Aos porcos prometeu habitação condigna com uma piscina e água potável; aos cães prometeu que passariam a dormir dentro da casa nas noites; aos cabritos prometeu liberta-los de comerem vigiados e com corda aos pés; aos patos prometeu uma privacidade separada das galinhas porque era injusto aos patos habitarem um local chamado «galinheiro»; às galinhas prometeu livra-las da morte prematura para servirem de banquete aos hóspedes e às ovelhas prometeu retirar o seu nome dos livros sagrados como símbolo de aceitação da submissão até à morte. Esquecido e ignorado, o gato perguntou ao Boi Inteligente se tinha Consciência das suas promessas, pelo que ridicularizou-o dizendo: tenho nojo de quem enterra o seu excremento para esconder a sua natureza. Os demais animais puseram-se a rir e o gato, humilhado e esquecido, escondeu-se no silêncio.
Dizem que nas redondezas da fazenda havia um passarinho, tão pequenino e tão trabalhador que só tinha o defeito de ser pequenino. Em determinado momento, o passarinho ficou de prenhe e pôs dois ovos junto do capim verde. Certo dia, a manada de bois, caminhando pela mata, foi em direcção ao local onde se encontravam os dois ovos do pequeno passarinho. Iam comendo o capim, quando o Boi Inteligente avistou os dois ovinhos. Não informou a ninguém o que acabara de ver e tomou a decisão de comer um; juntando-o ao capim, mastigou e engoliu. Sentiu que era muito bom. Terminou com o restante e continuou com as boas lembranças de uma deliciosa refeição no coração. Como o sol estava forte, a manada decidiu ir beber água ao rio. Pelo caminho cruzaram com o passarinho que estava de regresso, com raminhos na boca, para ir acarinhar os seus dois queridos ovos. Saudou os bois, mas nenhum quis abrir a boca, talvez pelo peso do calor intenso.
Quando o passarinho chegou ao ninho, uma sensação de tristeza lhe veio ao peito. Os ovos tinham sumido e com eles o capim em volta da ninharia. Pensou de si para si. Que coincidência entre a ausência dos ovos e do capim! Ficou duvidoso se seriam os bois ou alguém diferente, porque de uma coisa estava certo: os bois não comem ovos. Tristemente, tomou a coragem de ir ao encontro dos bois. E o diálogo começou:
- Oh bois, cavalheiros! Algum de vocês viu meus dois ovos?
- Não, não. Responderam em uníssono, incluindo o inteligente, o que os tinha comido.
- Ninguém de vocês que, ao comer o capim, sentiu na boca algo de diferente?
- Não, não, Ninguém. Repetiram em uníssono.
- Desde quando é que ouviste que os bois comem ovos? Perguntou o boi inteligente.
Está bem, desculpem. Disse o passarinho, entristecido e arrependido de ter feito uma acusação que a julgava sem provas. Eu não vim para acusar, sou fraco e nada posso fazer perante o vosso tamanho. Contudo, aquele que sabe e não quer dizer-me que, ao comer o capim, sentiu algo de diferente na boca, que SEJA MORTO PELA CONSCIÊNCIA. Após dizer estas palavras, o passarinho voou e desapareceu. O boi que tinha cometido o delito, pensou de si para si: o que é isso de consciência? Será que está lá onde vamos beber água? Que tamanho deve ter?!!! Será que foi aquele gato quem a contratou para me matar?
Perturbado, sem dizer nada a ninguém, o boi inteligente tomou a decisão de voltar a casa. Não foi ao rio beber água porque tinha medo que a consciência estivesse a espera. No dia seguinte, não foi ao pasto com os companheiros, porque tinha medo da consciência. Deixou de brincar, deixou de visitar amigos que já eram muitos, deixou de procurar novos amigos e permaneceu dentro do dormitório, porque tinha medo da consciência. Debilitado de fome, de tristeza e de desconfiança aos demais, negou ir ao hospital porque talvez a consciência estivesse lá. E, ao fim, morreu vítima de consciência, porque a consciência mata. A cada dia que passa vejo o sentido desta fábula. Pergunto-me se tenho consciência das minhas promessas e procuro o meu lugar de alertar dos perigos que atitudes individuais podem causar na convivência colectiva, pois, nem toda a felicidade é barata; nem todo o sofrimento é sublime!
Pedro MAHRIC
O Urso e a panela
Em certas ocasiões é preciso tomar decisões que vão além da nossa visibilidade pública. Lembrei-me duma pequena fábula que ouvia ao lado da fogueira: a do Urso e a panela.
O urso apareceu no acampamento onde os pescadores tinham deixado panela de sopa a ferver. O urso cheirou, gostou e abraçou a panela. Só que a panela abraçada estava quente e o urso sentia dor. Mas na cabeça do urso aquela dor era alguém tentando tirar-lhe a panela. Quanto mais a panela doía, mais o urso a abraçava, enquanto reparava aos lados. Quando os pescadores chegaram, estava o urso morto abraçado com a panela de sopa.
Agora uma pergunta de leve: Qual é a panela de sopa que está-te queimando e que tu já a deverias ter soltado há muito tempo, mas insistes naquilo que te faz sofrer?
Tem gente que só segura panela de sopa quente, o problema não se resolve mas não solta o raio da panela. E a panela de sopa quente é tudo aquilo que nos faz mal em casa, na rua, na faculdade, no partido, no serviço, etc. Toma tua decisão enquanto é tempo, antes que os pescadores te encontrem morto abraçado com a panela.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
O Rabo do Diabo e os travões da Solidariedade
Iniciemos com uma pequena história que, na minha terra, se conta aos meninos que tem alguma criatividade em benefício de si e dos seus próximos. Havia um vaga-lume ou pirilampo que gostava de rebolar e todo
o mundo admirava a sua pisca-pisca e o seu brilho. Aquilo era muito divertido . Um dia saiu para passear e encontrou-se com uma cobra que começou a persegui-lo. Cansado de ser perseguido
parou e disse: antes de me comeres tenho três perguntas, me
respondes, depois me comes:
1.
Eu faço parte da tua cadeia alimentar? Não –
respondeu a cobra.
2.
Eu te fiz algum mal? Não – disse ela.
3.
Alguém te mandou vir-me fazer mal? Também não,
concluiu a cobra.
Admirado o pirilampo retorquiu: e agora
porque tu queres acabar comigo? E a serpente respondeu:
_ Porque eu não suporto te ver brilhar.
A moral da história é simples: se você um dia começar a ter
um brilho diferente, junto com o brilho vem a serpente, junto com o sucesso vem
a inveja, onde Deus coloca as mãos o Diabo coloca o rabo. Quando as coisas estão
dando certo sempre há quem torce para darem errado. O importante é sabermos que
as pedradas levamos a vida inteira. Como disse o Padre Chrystian Shankar, «o
problema não é levar ou não levar pedradas mas o que fazer com as pedradas que recebemos».
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Entremos no cerne do tema. Nas últimas horas temos assistido uma autêntica inundação de esforços tendentes a desqualificar o esforço feito por um grupo de jovens em solidariedade para com os doentes, jovens estes que deixaram os seus afazeres habituais para irem trabalhar no Hospital Central de Maputo. Esta inundação de esforços retrógrados tem sido espalhada por alguma franja de freelancer facebookianos desprovidos de bases práticas sobre o sentido da solidariedade. São pessoas mais dispostas a pertencer ao grupo daqueles que tendo olhos não vêem e tendo ouvidos não ouvem as coisas que estão intimamente ligadas à sua vida e a dos seus amigos. Foi uma combinação de ódio e deplorável ignorância do que realmente acontece dentro de hospitais que os levou a julgar um grupo de homens e de mulheres que deveria ser apresentado como um modelo a esses apóstolos da democracia. A sua indiferença para com os doentes e a sua colagem ao escalar da greve não podiam ser o pior exemplo com que nos têm pontapeado. Vimo-los profetizando a catástrofe na Saúde, num tom alegre porque para eles esta greve deve causar mais danos em troca das exigências. Têm na catástrofe uma moeda de troca e quanto mais doentes sofrerem e morrerem mais felizes ficam, quando na verdade, a greve pune os irmãos, vizinhos e aconchegados do seu melhor amigo da sua longa lista de amizades do facebook.
Estes nossos irmãos insensíveis, nome com que se pode chamar os que perderam valores nobres ou estão em via de os perder, a quem as circunstâncias largaram a sorte para não ficarem doentes, necessitam de um antídoto contra a sua mentira. Pretendem politizar a acção quando o momento clama a unidade. Pretendem pôr em causa as pessoas de boa vontade, quando o momento requer o envolvimento de todos os estractos sociais. Pretendem destruir a cidadania quando o tempo é de construção. A melhor maneira de expor estas mentiras é o sucesso. Não é necessário entrarmos num círculo vicioso em relação aos direitos dos doentes. É inútil criar obstáculos falaciosos; de contrário, impedir-se-á o caminho para a vida ou a vida será destruída. Não se pode basear a felicidade na desgraça dos outros. Rectidão e franqueza são os atalhos e o melhor caminho pra se seguir o objectivo claro: ajudar a quem necessita no que podemos ser úteis. Confrontar directamente o problema dos doentes e atacá-lo numa linguagem única: solidariedade, com objectivo de conseguir um adiamento do sofrimento enquanto os envolvidos nas negociações buscam plataformas de entendimento. Ninguém foi substituir a ninguém, ninguém foi ao hospital como forma de negar aos médicos o seu direito à greve. Ninguém nega as deploráveis condições laborais que caracterizam os nossos hospitais.
Não se deve recear uma ajuda aos doentes que necessitam do auxílio de todos nós. Não se pode ridicularizar o apoio voluntário dos outros. Senhores, salvar vidas não e apenas uma mera confirmação de algumas linhas escritas em linguagem fantasiosa para merecer os LIKES ou SHARE. Não é apenas a prescrição dos remédios. Muito pelo contrário, é um reeditar do trabalho, da vontade e determinação. É a limpeza do recinto e do quarto hospitalar; é o consolo ao doente em estado terminal, é o controlo do cumprimento da medicação, é a esterilização do material cirúrgico, é o transporte dos doentes de e para a sala da operação, para os raios solares, e mesmo o transporte de algum corpo para a morgue, também faz parte de salvar vidas. É o conversar com os doentes, escutando-lhes as suas proezas enquanto eram saudáveis. É o escutar daqueles últimos segredos da vida quando a morte se torna inevitável. É o desfazer e o fazer a cama, é o lavar os doentes, é o levar comida à boca daqueles doentes renegados ou cujos familiares se encontrem ausentes. Todos estes trabalhos concorrem para o mesmo fim supremo da existência de hospitais e dependendo da vontade, homens sensatos e disponíveis podem fazer.
A solidariedade não é um jogo no qual se apela a solidariedade para defender certos caprichos ou esconder certas verdades. Na sua essência, a solidariedade é um combate terrível contra todos os caprichos e ambições destes enigmáticos defensores de causas perdidas, sempre com pedras nos bolsos e nas mãos prontas para serem lançadas. Talvez os exemplos do que já experimentamos ou retiramos da história recente nos ensinem que a ajuda não pode garantir a segurança permanente daquele que a recebe. Mas nem com isso ela deixa de ser necessária e nenhuma calúnia destrói o que a intenção construiu. Aquando das cheias, vimos nossos irmãos postarem sacos de arroz, garrafas de óleo, calcinhas e outras coisas e em uníssono canalizamos todos os nossos esforços para a construção de uma grande fortaleza da solidariedade, em vez de fabricarmos suposições destrutivas. E naquele tempo, ninguém dos indignados de hoje ousou a criticar senão elogiar o gesto. Admiramos pasmados que hoje, quando a crise é também aguda, o peso e a medida sejam outros! Aos que estão em apuros e no desespero por terem sido apanhados de surpresa pela iniciativa cidadã dos outros fazemos um apelo sincero:
A solidariedade não é um jogo no qual se apela a solidariedade para defender certos caprichos ou esconder certas verdades. Na sua essência, a solidariedade é um combate terrível contra todos os caprichos e ambições destes enigmáticos defensores de causas perdidas, sempre com pedras nos bolsos e nas mãos prontas para serem lançadas. Talvez os exemplos do que já experimentamos ou retiramos da história recente nos ensinem que a ajuda não pode garantir a segurança permanente daquele que a recebe. Mas nem com isso ela deixa de ser necessária e nenhuma calúnia destrói o que a intenção construiu. Aquando das cheias, vimos nossos irmãos postarem sacos de arroz, garrafas de óleo, calcinhas e outras coisas e em uníssono canalizamos todos os nossos esforços para a construção de uma grande fortaleza da solidariedade, em vez de fabricarmos suposições destrutivas. E naquele tempo, ninguém dos indignados de hoje ousou a criticar senão elogiar o gesto. Admiramos pasmados que hoje, quando a crise é também aguda, o peso e a medida sejam outros! Aos que estão em apuros e no desespero por terem sido apanhados de surpresa pela iniciativa cidadã dos outros fazemos um apelo sincero:
Tocai os sinos a chamar os vossos seguidores. Dizei-lhes que estas acusações ridículas, este sacrilégio, estas falácias e este ódio, foram as últimas atitudes negativas da vossa vida e que a ridicularização de boas acções acabou. Dizei-lhes que estamos a encetar um novo começo, uma nova vida, uma nova forma de ver Moçambique não em função das cores políticas. Dizei-lhes que nas próximas ocasiões preferireis manter a boca fechada a expor a perda gradual do humanismo que até antes desta última infâmia vos caracterizara. Quando não estiverdes dispostos a ajudar deixai os que tem vontade a fazê-lo porque a vontade dos povos é uma parte da vontade de Deus. Tu, mãe sofredora, tu, mulher enviuvada, tu, filho que perdeste um irmão ou um pai, todas as vítimas desta greve, enchei os ares e o espaço de cânticos de esperança no fim breve desta greve, enchei regaços e corações com as aspirações da solidariedade como forma de pressionar os envolvidos nas negociações a devolver a paz às famílias que dependem unicamente do serviço sanitário público. Aos mortos em resultado da mesma greve, paz às suas almas. Construi uma realidade que floresça e viva. Fazei da solidariedade, humanismo e honestidade um código de conduta e progresso. Não deixemos os invejosos de lado pois eles também precisam de uma salvação espiritual de modo a que em cada batida do seu coração e com todo o sentimento sintam-se arrependidos pela infâmia do século. Num futuro breve, quando os sinos da paz repicarem, não haverá mãos livres para tocar os tambores da ociosidade. Mesmo que existissem, seriam travadas.
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