terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Paz Futura

Escrevo a partir de Maringue. Vim, unicamente, testemunhar os horrores da guerra: casas abandonadas, lares destruídos, mulheres enviuvadas, filhos órfãos, rostos desesperados e sem perspectivas quanto ao futuro. Toda uma vida edificada em 21 anos foi destruída em menos de uma semana e, por aquilo que vejo, os próximos meses, vão continuar a ver o desenrolar do drama que, desde Abril de 2013, é seguimento da guerra a que se cuidou que a Paz firmada em Roma tinha posto termo. A persuasão falaz de que não mais se travaria conflito de magnitude comparável à que havia tido o de 1976/92, fez que se chamasse a este conflito «guerra pela democracia», e ainda hoje é corrente vê-lo designar assim. Contudo, pode já verificar-se, à luz das realidades, que a guerra que pareceu, em 1992, findado, não era a maior de que o país podia ser teatro, e é possível verificar-se também que, em 1976, o que principiou e não teve ainda interregno, foi antes a transformação rápida com que se pretendia sair do colonialismo ao país independente. A convulsão que tem sorvido dezenas de vidas e devorado já a riqueza como jamais o país vira acumuladas, dura há nove meses.
Se não houver travões contra a animosidade que move os falcões de guerra, muito mais vasta e profunda terá, sem dúvida, de ser aquela a que assistimos, e os nove meses já volvidos após ela haver encetado a sua marcha arrasadora de princípios, normas e instituições consideradas antes como assentes para todo o sempre, porventura marcam somente os primeiros passos da mudança para que o país caminha, através de acontecimentos cuja natureza e alcance hão de ser de cada vez mais extraordinários e subversivos. A nova guerra deflagrada em 2013, e cuja razão aparente foi a invasão da sede da Renamo em Moxungue, é já, nesta hora, a luta de duas forças pela sua hegemonia no país. As FADM e FIR de um lado e os guerrilheiros da Renamo, por outro, disputam, com efeito, a missão de a comandar. Mas para lá dos horizontes que limitam os campos de batalha e dos objectivos das forças que dirigem a guerra, já despontam, claramente, outros objectivos, sustentados por circunstâncias porventura mais fortes ainda, porque, sobrepondo-se aos interesses das forças em luta, representam aspirações espirituais e económicas, irreprimíveis e indomináveis, dos homens que essas forças aglomeram e aglutinam. Até aqui é cedo para dar razão a uma das partes, encontrando-se todas elas na fase da mobilização da opinião pública para que ela esteja do seu lado. E também é cedo para prever se o desfecho da guerra será pela derrota de uma das partes. Às aspirações que adquirem consistência crescente na consciência colectiva, e cuja justiça é inegável, é que pertencerá a última palavra, se não na guerra, com certeza na Paz, para ela poder ser verdadeira e profícua.
Se a inteligência e a previsão esclarecida dos homens que não souberam evitar a guerra e a dirigem agora, e, sobretudo, a inteligência e previsão daqueles que um dia hão de construir os alicerces da Paz não tiverem em suprema conta que, para além das forças que lutam, existem milhões de moçambicanos que iniquidades e desequilíbrios económicos e sociais afligem progressivamente, à guerra de sobrevivência que ora devasta Gorongosa, Maringue, Moxungue e ameaça Inhambane, sucederá, como flagelo maior ainda a escala nacional. Quando voltarão os homens capazes de firmar a paz nos tratados e nos espíritos e não somente a paz para a preparação de novas guerras, paz que dure, ao menos, também 21 anos? É o que a ninguém, por enquanto, é dado prever ao certo.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Despartidarização e Inclusão na Unidade Nacional

 
A agitação que se verifica actualmente nalgumas mentes dá razão à Kennedy, o presidente americano dos anos 60, quando disse que «quando uma sociedade livre não é capaz de ajudar os muitos que são pobres, não pode salvar os poucos que são ricos». Existe uma ideia generalizada mas compreensível de que a Frelimo, partido no poder desde 1975 e que representa apenas uma parte de forças políticas nacionais com apenas meia ideia sobre cada assunto, assumiu o controlo absoluto de tudo o que se passa sobre o país. Nas negociações levadas pela Renamo para junto do Governo, consta a despartidarização como um dos quatro pontos de maior relevo, ao lado da Paridade, da Economia e da Segurança. Fala-se de um Estado Partidarizado e da urgência da sua despartidarização. Tenho defendido a inclusão como meio-termo para reduzir as animosidades nesta questão. De facto, o Presidente Guebuza, na maioria dos comícios populares que orientou, enfatizou a inclusão e até chamou de inclusivas as suas viagens aos vários cantos desta pérola do Índico. Será a inclusão uma realidade na administração de Armando Guebuza?
 
Dependendo do ângulo a partir do qual se observe a realidade uns dirão «sim» e outros dirão «não». Esta é exactamente a dificuldade com que nos debatemos hoje em dia. Os críticos de Guebuza dizem que temos poucos exemplos de inclusão na verdadeira acepção da palavra: o que existe são apenas muitos reflexos, variações e diluições de elementos da oposição na administração pública e, quando estes se revelam abertamente, são forçosamente afastados das direcções, dos locais de trabalho e mesmo despedidos do emprego. Acrescentam que para conseguir conquistar uma posição na sociedade, o funcionário público deve parecer-se o mais possível com os ideais de quem governa, reflectir as suas ideias, opiniões, virtudes, motivações, preconceitos e vícios. E concluem que as características técnicas e a competência profissional são ignoradas e reprimidas devido à dependência, pois enquanto for o Governo a alimenta-lo, diga-se, ele tentará agradar ao dador e adaptar-se às suas condições. Todavia, a experiência e os exemplos recentes mostram que um funcionário assim mantido utiliza meios indirectos – como o voto – para se controlar, desenvolvendo exactamente, na maioria dos casos, as características que em ambos necessitariam de ser eliminadas. Não é de admirar que mais tarde, alguém fique horrorizado com os resultados dos seus próprios excessos e lamente amargamente que a falsidade, o egoísmo, a traição e os insultos à sua entidade sejam a lei da vida. E nestas condições não é possível combater a pobreza absoluta a qual exige de nós uma luta absoluta contra a pobreza implicando o envolvimento de todos e a primazia da técnica e do profissionalismo.
 
É chegado o tempo de ver tudo sob o prisma da prática, senão todo o esforço verbal é uma simples cabeça no ar. E aceitar as coisas como são, tirando-lhes o melhor partido possível. Esta hora exige um novo Evangelho da Unidade Nacional que exalte a pureza da inclusão independentemente da cor partidária para elevar o país a planos superiores de acção. Há muitas pessoas no país que realmente não compreendem, ou dizem não compreender, qual é a grande questão entre a partidarização e a inclusão. E há quem diga que a inclusão é a onda do futuro enquanto a partidarização pertence ao passado. Eu defendo inclusão! A inclusão também dos quadros da oposição em todas as esferas públicas – desde que aceitem – como primeiro passo. À Renamo, cujas preocupações parte do povo partilha, é necessária uma promessa da lealdade de amigos fiéis porque unidos, é muito pouco o que não podemos fazer no quadro de inúmeros desafios de hoje. Divididos, pouco podemos fazer. Aos outros partidos basta recordá-los que, no passado, todos aqueles que insensatamente procuraram o poder montados num tigre acabaram dentro dele. Ao povo que, nas matas e aldeias do país, luta para quebrar os grilhões do engano, é preciso envidar os maiores esforços para o ajudar a ajudar-se a si próprio, durante o tempo que for necessário – não porque a oposição o possa estar a fazer, não por interesse nos seus votos, mas sim porque é atitude correcta.
 
Tudo o que for feito para elevar a confiança de cada moçambicano nas suas próprias forças e competências promoverá uma nova época de paz e perfeição para a nação. Quando falo da inclusão, não quero que pensem que apenas limitar-me-ei na teoria. Mas também não quero que pensem que defendo o Governo de Unidade Nacional ou, na pior hipóteses, dividir para reinar. Pretendo, num espírito puro, mostrar que é possível evitar a existência de tribos renegadas que vejam no Governo e nos governantes a face da opressão ante a nova epopeia do realinhamento das identidades. Tomemos o exemplo de Sofala, terra que viu a nascer Afonso Dhlakama, a face visível da oposição nacional. O que pode acontecer se Armando Guebuza nomear Dhlakama como Governador desta província? Iria Dhlakama recusar ou aceitar e como ficariam os seguidores da Renamo e provavelmente das outras forças políticas incluindo da própria Frelimo? Na verdade, um gesto desta magnitude iria trazer benefícios mútuos e testemunharia o pico do que significa, na voz do pai da nação, a inclusão. Nesta primeira abordagem, refiro-me também à inclusão daquelas pessoas que são a face visível da Renamo, cujos argumentos e ideias mostraram serem competentes, entre as quais Ivone Soares, Fernando Mazanga, A. Muchanga, só para citar poucos. Imagino a cara de todos aqueles que conhecendo a minha postura ficaram estupefactos com a minha proposta e têm dúvidas quanto à sinceridade das intenções por detrás deste exemplo. Ninguém conceberia nunca que aos frelimistas preocupassem as vias de inclusão.
 
No Moçambique de hoje, com toda a sua agitação, assistimos a um esforço constante para desacreditar a Frelimo e destruir todo o equilíbrio de forças da sua grandeza: antigos combatentes, quadros seniores e cofundadores do partido, jornalistas, médicos, madjermane, cientistas nacionais, secretários de povoações e de bairros. Mas a História, qual mãe carinhosa, está constantemente a tentar mante-la no seu respectivo lugar, a apaziguar os furiosos ventos e vagas, para que a paz, a harmonia e a unidade da nação possam reinar supremas. Por isso, o nosso tempo exige já o alargamento da participação política da oposição e, no lugar de combater os críticos «internos e externos» acomodar-lhes as suas justas reclamações. A inclusão das figuras da Renamo na governação, longe de ser uma fraqueza e ameaça à hegemonia frelimista, representaria melhor o todo e protegeria melhor os argumentos de quem verdadeiramente é o garante da Unidade Nacional. E se um princípio de cooperação com a Renamo conseguir fazer recuar o ódio escondido na selva suspeita, que nos juntemos numa nova empresa de inclusão dos restantes partidos políticos, dos restantes críticos num país onde os fortes sejam justos enquanto os fracos estão em segurança e se preserva a paz. Não será possível realizar tudo isto em um ano, em um mandato, nem provavelmente durante as nossas vidas. Mas comecemos e unamo-nos para que em todos os lares deste país seja ouvido o recado de Jesus Cristo «na casa do meu Pai há muitas moradas».
 
Nas mãos da Frelimo, mais do que nas da oposição, está o sucesso ou o fracasso do nosso projecto como nação. Desde a sua fundação em 1962, cada frelimista tem sido chamado a provar a sua lealdade nacional. As campas dos que responderam à chamada estão espalhadas por todo o país. Agora, o clarim toca de novo – não em chamada às armas, embora precisemos delas, não para combatermos, embora estejamos em combate, mas sim para carregarmos o fardo de uma longa e sombria luta, ano após ano, alegres na esperança, pacientes no sofrimento, um combate contra o inimigo do nosso fracasso: a exclusão social e a elitização das oportunidades. Contra estes inimigos, forjemos uma aliança nacional que possa assegurar uma vida mais frutuosa para todos. Requer uma decisão histórica pois na longa história do Mundo, poucas foram as organizações políticas às quais foi concedido o papel de defender a sua sobrevivência na sua hora de maior perigo. Que a Frelimo não recue perante essa responsabilidade e não a deixe para os outros, pois mais cedo ou mais tarde ela será uma realidade e feliz será quem a puser em prática. Não acredito que algum de nós veja vantagens na exclusão político-social. A energia, a fé, a devoção que pusermos nesta empresa iluminará o nosso país e todos os que o querem servir e o brilho deste fogo poderá, na verdade, iluminar as vitórias futuras. Já não podemos arriscar improvisos de emergência na garantia da Unidade Nacional. Como nação, lutemos para sermos poderosos e estarmos prontos para entrar em acção, para que nenhum potencial agressor possa sentir-se tentado a arriscar a sua própria destruição. Que assim seja!!

Eusébio A. P. Gwembe

Um paço no caminho da inclusão  

 

A agitação que se verifica actualmente nalgumas mentes dá razão à Kennedy, o presidente americano dos anos 60, quando disse que «quando uma sociedade livre não é capaz de ajudar os muitos que são pobres, não pode salvar os poucos que são ricos». Existe uma ideia generalizada mas compreensível de que a Frelimo, partido no poder desde 1975 e que representa apenas uma parte de forças políticas nacionais com apenas meia ideia sobre cada assunto, assumiu o controlo absoluto de tudo o que se passa sobre o país. Nas negociações levadas pela Renamo para junto do Governo, consta a despartidarização como um dos quatro pontos de maior relevo, ao lado da Paridade, da Economia e da Segurança. Fala-se de um Estado Partidarizado e da urgência da sua despartidarização. Tenho defendido a inclusão como meio-termo para reduzir as animosidades nesta questão. De facto, o Presidente Guebuza, na maioria dos comícios populares que orientou, enfatizou a inclusão e até chamou de inclusivas as suas viagens aos vários cantos desta pérola do Índico. Será a inclusão uma realidade na administração de Armando Guebuza?

 

Dependendo do ângulo a partir do qual se observe a realidade uns dirão «sim» e outros dirão «não». Esta é exactamente a dificuldade com que nos debatemos hoje em dia. Os críticos de Guebuza dizem que temos poucos exemplos de inclusão na verdadeira acepção da palavra: o que existe são apenas muitos reflexos, variações e diluições de elementos da oposição na administração pública e, quando estes se revelam abertamente, são forçosamente afastados das direcções, dos locais de trabalho e mesmo despedidos do emprego. Acrescentam que para conseguir conquistar uma posição na sociedade, o funcionário público deve parecer-se o mais possível com os ideais de quem governa, reflectir as suas ideias, opiniões, virtudes, motivações, preconceitos e vícios. E concluem que as características técnicas e a competência profissional são ignoradas e reprimidas devido à dependência, pois enquanto for o Governo a alimenta-lo, diga-se, ele tentará agradar ao dador e adaptar-se às suas condições. Todavia, a experiência e os exemplos recentes mostram que um funcionário assim mantido utiliza meios indirectos – como o voto – para se controlar, desenvolvendo exactamente, na maioria dos casos, as características que em ambos necessitariam de ser eliminadas. Não é de admirar que mais tarde, alguém fique horrorizado com os resultados dos seus próprios excessos e lamente amargamente que a falsidade, o egoísmo, a traição e os insultos à sua entidade sejam a lei da vida. E nestas condições não é possível combater a pobreza absoluta a qual exige de nós uma luta absoluta contra a pobreza implicando o envolvimento de todos e a primazia da técnica e do profissionalismo.

 

É chegado o tempo de ver tudo sob o prisma da prática, senão todo o esforço verbal é uma simples cabeça no ar. E aceitar as coisas como são, tirando-lhes o melhor partido possível. Esta hora exige um novo Evangelho da Unidade Nacional que exalte a pureza da inclusão independentemente da cor partidária para elevar o país a planos superiores de acção. Há muitas pessoas no país que realmente não compreendem, ou dizem não compreender, qual é a grande questão entre a partidarização e a inclusão. E há quem diga que a inclusão é a onda do futuro enquanto a partidarização pertence ao passado. Eu defendo inclusão! A inclusão também dos quadros da oposição em todas as esferas públicas – desde que aceitem – como primeiro passo. À Renamo, cujas preocupações parte do povo partilha, é necessária uma promessa da lealdade de amigos fiéis porque unidos, é muito pouco o que não podemos fazer no quadro de inúmeros desafios de hoje. Divididos, pouco podemos fazer. Aos outros partidos basta recordá-los que, no passado, todos aqueles que insensatamente procuraram o poder montados num tigre acabaram dentro dele. Ao povo que, nas matas e aldeias do país, luta para quebrar os grilhões do engano, é preciso envidar os maiores esforços para o ajudar a ajudar-se a si próprio, durante o tempo que for necessário – não porque a oposição o possa estar a fazer, não por interesse nos seus votos, mas sim porque é atitude correcta.

 

Tudo o que for feito para elevar a confiança de cada moçambicano nas suas próprias forças e competências promoverá uma nova época de paz e perfeição para a nação. Quando falo da inclusão, não quero que pensem que apenas limitar-me-ei na teoria. Mas também não quero que pensem que defendo o Governo de Unidade Nacional ou, na pior hipóteses, dividir para reinar. Pretendo, num espírito puro, mostrar que é possível evitar a existência de tribos renegadas que vejam no Governo e nos governantes a face da opressão ante a nova epopeia do realinhamento das identidades. Tomemos o exemplo de Sofala, terra que viu a nascer Afonso Dhlakama, a face visível da oposição nacional. O que pode acontecer se Armando Guebuza nomear Dhlakama como Governador desta província? Iria Dhlakama recusar ou aceitar e como ficariam os seguidores da Renamo e provavelmente das outras forças políticas incluindo da própria Frelimo? Na verdade, um gesto desta magnitude iria trazer benefícios mútuos e testemunharia o pico do que significa, na voz do pai da nação, a inclusão. Nesta primeira abordagem, refiro-me também à inclusão daquelas pessoas que são a face visível da Renamo, cujos argumentos e ideias mostraram serem competentes, entre as quais Ivone Soares, Fernando Mazanga, A. Muchanga, só para citar poucos. Imagino a cara de todos aqueles que conhecendo a minha postura ficaram estupefactos com a minha proposta e têm dúvidas quanto à sinceridade das intenções por detrás deste exemplo. Ninguém conceberia nunca que aos frelimistas preocupassem as vias de inclusão.

 

No Moçambique de hoje, com toda a sua agitação, assistimos a um esforço constante para desacreditar a Frelimo e destruir todo o equilíbrio de forças da sua grandeza: antigos combatentes, quadros seniores e cofundadores do partido, jornalistas, médicos, madjermane, cientistas nacionais, secretários de povoações e de bairros. Mas a História, qual mãe carinhosa, está constantemente a tentar mante-la no seu respectivo lugar, a apaziguar os furiosos ventos e vagas, para que a paz, a harmonia e a unidade da nação possam reinar supremas. Por isso, o nosso tempo exige já o alargamento da participação política da oposição e, no lugar de combater os críticos «internos e externos» acomodar-lhes as suas justas reclamações. A inclusão das figuras da Renamo na governação, longe de ser uma fraqueza e ameaça à hegemonia frelimista, representaria melhor o todo e protegeria melhor os argumentos de quem verdadeiramente é o garante da Unidade Nacional. E se um princípio de cooperação com a Renamo conseguir fazer recuar o ódio escondido na selva suspeita, que nos juntemos numa nova empresa de inclusão dos restantes partidos políticos, dos restantes críticos num país onde os fortes sejam justos enquanto os fracos estão em segurança e se preserva a paz. Não será possível realizar tudo isto em um ano, em um mandato, nem provavelmente durante as nossas vidas. Mas comecemos e unamo-nos para que em todos os lares deste país seja ouvido o recado de Jesus Cristo «na casa do meu Pai há muitas moradas».

 
Nas mãos da Frelimo, mais do que nas da oposição, está o sucesso ou o fracasso do nosso projecto como nação. Desde a sua fundação em 1962, cada frelimista tem sido chamado a provar a sua lealdade nacional. As campas dos que responderam à chamada estão espalhadas por todo o país. Agora, o clarim toca de novo – não em chamada às armas, embora precisemos delas, não para combatermos, embora estejamos em combate, mas sim para carregarmos o fardo de uma longa e sombria luta, ano após ano, alegres na esperança, pacientes no sofrimento, um combate contra o inimigo do nosso fracasso: a exclusão social e a elitização das oportunidades. Contra estes inimigos, forjemos uma aliança nacional que possa assegurar uma vida mais frutuosa para todos. Requer uma decisão histórica pois na longa história do Mundo, poucas foram as organizações políticas às quais foi concedido o papel de defender a sua sobrevivência na sua hora de maior perigo. Que a Frelimo não recue perante essa responsabilidade e não a deixe para os outros, pois mais cedo ou mais tarde ela será uma realidade e feliz será quem a puser em prática. Não acredito que algum de nós veja vantagens na exclusão político-social. A energia, a fé, a devoção que pusermos nesta empresa iluminará o nosso país e todos os que o querem servir e o brilho deste fogo poderá, na verdade, iluminar as vitórias futuras. Já não podemos arriscar improvisos de emergência na garantia da Unidade Nacional. Como nação, lutemos para sermos poderosos e estarmos prontos para entrar em acção, para que nenhum potencial agressor possa sentir-se tentado a arriscar a sua própria destruição. Que assim seja!!

domingo, 3 de novembro de 2013

Guebuza é um inocente sacrificado em nome de muitos

Acusar Guebuza de ser o promotor de um Estado de Guerra para perpetuar-se no poder é um erro. Ele já disse estar de saída, dito confirmado pela primeira-dama. Erro confesso quando os exemplos recentes mostraram a sua paciência quando o exército e a polícia eram amedrontados, humilhados e assassinados, sem que ele, na qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, desse também a autorização que Dhlakama dera a seus homens: se se sentirem atacados ataquem também, vocês sabem onde encontrarem as armas». Para mim, em toda esta História, Guebuza é um inocente que carrega a culpa de muitos compatriotas e dirigentes da Frelimo, incluindo os da Administração de Chissano. Chissano, não pode ser visto como campeão da paz, quando deixou que o actual problema de dois exércitos tivesse barbas brancas. Suas palavras recentes, segundo as quais ele enganou Dhlakama, são reveladoras de muita coisa. E pior do que isto, é o silêncio dele, neste momento angustioso. Duas perguntas foram-me feitas ontem, por um amigo de longa data: a primeira, se era eu o autor deste artigo aqui cujos ecos, mais do que eu imaginara, já se fazem sentir um pouco por todo o país, a segunda, se eu desejava revogar ou defender o que afirmara naquele artigo. Respondi à primeira afirmativamente. Quanto à segunda, escrevi inúmeros  comentários sobre pontos de vista muito diferenciados mostrando o perigo que a existência de dois exércitos representa num Estado que se presuma de Direito. Em primeiro lugar, nalguns, discuti a humilhação sofrida pelo povo protagonizada ante FIR (Força de Intervenção Rápida) e pôde até afirmar que esta atitude policial daria mais legitimidade as acções da Renamo, caso esta ripostasse, porque ai o povo veria uma polícia que, ao invés de defender humilha, a ser também humilhada. O exemplo de Moxungue foi revelador daquela profecia, quando um grupo de polícias foi aniquilado pela Renamo sob pretexto de que «já estava cansada de tanta humilhação e que, doravante, assim seria: levou, deu».
 
Condenei a actuação da FIR no Maputo e igualmente condenei a actuação dos guerrilheiros da Renamo em Moxungue num espírito tão puro, claro e cristão que até os meus temidos adversários ideológicos, longe de encontrarem algo a censurar, admitiram que aquelas críticas eram úteis e mereciam ser lidas por pessoas devotas. Admiro que alguns hoje encontrem nos meus escritos uma apologia à Guerra. A desmilitarização da Renamo é um imperativo nacional. Todos estávamos de acordo nisso. De entre todos os homens, tinha que ser eu a abandonar as verdades aprovadas pela voz unânime de amigos e adversários, e a opor-me a ideias que todo o mundo se regozija de reconhecer? Em segundo lugar, escrevi determinados textos contra a hipocrisia do MDM, (demonstrada aqui)  nos quais ataquei aqueles que, com falsas palavras, vidas democráticas impróprias e exemplos escandalosos prejudicaram o povo moçambicano tendo aprovado a lei que abriu a precedente do que hoje arruína a nação. Naquele momento, em 2012, eu era contra a aprovação da lei eleitoral até que se criassem condições de consenso que nos poupassem do sangue que hoje corre pelas estradas e pelas matas deste sacrificado país. Sim, mesmo que isso significasse o adiamento das eleições. E a hipocrisia do MDM pouco tempo manifestou-se, quando em surdina, começou a apoiar a paridade (veja aqui), principio gerado pela Renamo, contra aquilo que em sede própria, isto é, no Parlamento, aprovara ao lado da Frelimo. Não é verdade que a decisão apressada para correr atrás de eleições confunde, atormenta e angustia as consciências dos moçambicanos, enquanto as gritantes e intermináveis emboscadas devoram os bens e a riqueza dos moçambicanos, e mais particularmente da ilustre província de Sofala?
 
Não é justo que os membros do MDM encontrem a culpa onde não está, isto é, em Guebuza, cuja missão é salvar o país do desastre iminente ao qual a Renamo pretende precipitá-lo. É tempo de darmos uma condenação unânime contra as atitudes da Renamo, que perigam a Democracia que tal como provam os exemplos históricos do nosso passado, tanto sangue e suor custou. Se eu revogasse o que escrevi sobre o tema de desarmamento da Renamo, estaria a fortalecer a sua tirania e a abrir ainda mais a porta a tantas críticas a alguém que está a desempenhar o seu mandato e a cumprir a sua promessa eleitoral, feita em 2005, segundo a qual, acabaria com os exércitos paralelos. A missão é de risco, mas deve ser cumprida e o seu não cumprimento poderá criar nos adeptos de partidos políticos militarizados uma resistência com uma ira renovada contra tudo o que represente o governo do dia. Então, veríamos estes homens inchar, espumar e enfurecer-se mais do que nunca. O progresso das nossas forças armadas, do qual dependerá principalmente tudo o resto, é tão bem conhecido pelo público moçambicano e apresenta-se, acredito, razoavelmente satisfatório e encorajador para todos. Antes de ocuparem qualquer espaço advertem, avisam,num esforço tendente a apenas ocupar os espaços fora do controlo delas e poupar as vidas humanas. O exemplo da não perseguição ao líder da Renamo ilustra muito bem esta intenção, ate porque segundo o «Governo, na voz do ministro da Agricultura, José Pacheco, que tem chefiado a delegação governamental ao diálogo com a Renamo, diz que Afonso Dhlakama não corre nenhum perigo de vida e que o assalto a Santhundjira não visava a sua eliminação física». Mas embora tenhamos grandes esperanças no futuro sem guerra, não arriscamos uma previsão sobre ele.
 
Por esta mesma terra, há 37 anos atrás, todas as atenções nacionais estavam concentradas numa guerra iminente. Todos a receavam e a tentavam evitar. Enquanto neste país estava a ser proferido o discurso da vitória sobre o colonialismo, agentes insurrectos tentavam, no mato, organizar-se para a destruição do recém-Estado. A situação era difícil. Ambas as partes repudiavam a guerra, acusando-se mutuamente, mas uma delas preferia fazer a guerra a deixar sobreviver a nação, enquanto a outra preferia aceitar a guerra a deixá-la perecer; e a guerra prosseguiu por 16 anos. Naquele tempo, mais de 80% da população moçambicana era formada de analfabetos que não se encontravam uniformemente distribuídos. Estes analfabetos constituíam um interesse peculiar e poderoso. Todos sabiam que, de certo modo, este interesse era a causa da guerra, porque os analfabetos são facilmente manipuláveis. Hoje, a realidade é diferente, mas os intelectuais, em vez de olharem criticamente a quem oferecer responsabilidades, são levados a ver no próprio Governo um inimigo a abater. Os reforços soviético, zimbabweano, tanzaniano, cubano, britânico a um lado; rodesiano, sul-africano e malawiano ao outro, não foram capazes de dar vantagens aditivas a nenhuma das partes em luta. A guerra prosseguiu e com ela as consequências inerentes: mortes, destruição de infraestruturas e de valores ético-morais, estes últimos que tinham sido edificados por gerações de moçambicanos, todos desaparecidos agora; deslocados e refugiados.
 
Estes reforços, perpetuação e expansão deste sofrimento eram os objectivos pelos quais os insurrectos pretendiam aniquilar o poder de Maputo, mesmo recorrendo à guerra, ao passo que o governo não exigiu mais do que o direito a restringir a sua expansão territorial recorrendo ao apoio de países amigos. Os insurrectos eram chamados de Bandidos Armados enquanto estes chamavam de comunistas os governantes e neste jogo de palavras nenhuma das partes esperava que a guerra durasse tanto tempo e chegasse à magnitude que atingira. Ambas procuravam um triunfo mais fácil e com um resultado menos radical e espantoso. Ambas liam a mesma Bíblia e rezavam ao mesmo Deus, e ambas invocavam a Sua ajuda contra a outra. E como não era possível responder às orações de ambas as partes, nenhuma teve uma resposta completa porque o Todo-poderoso tinha os seus próprios desígnios. E a guerra terminou como havia começado, sem vencedor nem vencido, em 1992. Os que estavam no poder continuaram e os que estavam à margem dele também ali se acomodaram. Ouviram-se palavras proferidas pelas partes dizendo e convencendo-nos que a paz viera para ficar.
 
A paz é uma dádiva e obra divina para a qual concorrem as acções humanas enquanto executoras da vontade da providência. A guerra é obra humana e certamente inevitável mas ai do homem que a pratica primeiro. Suponhamos que a guerra moçambicana é uma dessas ofensas que, de acordo com a providência divina, são inevitáveis, mas que, tendo ultrapassado o tempo que lhe foi atribuído, Deus pretende agora eliminar. Ele envia Guebuza para tomar esta difícil decisão de trazer a paz, como castigo devido àqueles que primeiro praticaram a ofensa: será que discernimos aqui um desvio dos atributos divinos que os crentes em Deus vivo sempre lhe atribuem? É que a guerra já começou e esperamos de todo o coração e oramos fervorosamente para que este colossal flagelo da guerra possa terminar rapidamente. No entanto, se Deus desejar que ela continue até que se esgotem todas as riquezas acumuladas em vinte anos de paz e de árdua labuta do povo moçambicano, e até que todas as gotas de sangue provocadas pelo trabalho sejam pagas por outras provocadas pela arma, como foi dito há dois mil anos, ainda assim se deverá dizer: «o julgamento do Senhor é verdadeiro e justo».

Eusébio A. P. Gwembe!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A Orquestra dos tiros

Referimo-nos jocosamente à uma orquestra de jazz que é a Renamo, orquestra essa que executa sob a regência do Senhor Dhlakama, o dissonante rock do anti-frelimismo. A coisa não teria importância de maior se apenas os frelimistas ouvissem a orquestra, porque estes tapariam os ouvidos até que os músicos acabassem a sua ária. O pior é que outros concidadãos, não distinguindo a boa da ruim música, vão ouvindo e impressionam-se, julgando que aquela é a verdadeira arte de emitir sons harmoniosamente. Mas a intenção da orquestra é exclusivamente a de atingir o povo cujos interesses diz defender.

A orquestra recebeu subitamente o influxo da entrada de outras entidades, notadamente a outra oposição, a oposição das contrapartidas. Por outro lado, e no fim de contas, os membros desta outra oposição, unidos e reunidos em torno de certos protagonistas, já servem de porta-vozes de uma Renamo em apulo. Os dois partidos chefes da oposição, a Renamo e esta outra oposição, que têm vindo a afirmar a sua fidelidade e o seu respeito ao anti-frelimismo, os primeiros sinceramente, os segundos com a sua hipocrisia habitual da sua política de autovitimização, estão muito confusos sem saber se, nas actuais circunstâncias devem rir ou chorar visto que a orquestra tem lugar no seu próprio bastião. Ai, a população anda de arbusto em arbusto em busca de segurança. A orquestra desta dupla pode continuar a exibir-se.

A ária estridente do ódio à Frelimo já ninguém engana. Essa outra oposição, que sempre tem utilizado um certo Jornal especialmente como plataforma da sua propaganda, até há bem pouco tempo considerou que existe uma grande oportunidade por explorar. Mas hoje o cenário sombrio se desenha no horizonte. O 20 de Novembro pode vir trazer surpresas inesperadas. Recentemente, alguns líderes atravessaram o rio Zambeze cercados dos seus sequazes mais em evidência no avião do que no terreno. E lá ao Norte, as populações ficaram-lhes indiferentes. Todos ali se concentraram, numa reunião que se procurou fazer excepcionalmente aparatosa, mas a orquestra não teve audiência. Porque ninguém deseja uma orquestra de tiros.

Pedro MAHRIC

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Há segredos que devem estar na posse do Governo!

Nas relações entre os partidos políticos, o povo e o Governo, é legítimo que este último tenha seus segredos, longe dos tímpanos dos deputados, mas de utilidade valiosa a favor do povo. Democracia não significa que qualquer deputado saiba de tudo o que acontece. Quando o assunto dos barcos saiu a ribalta, os defensores da transparência apareceram com argumentos do tipo «o Parlamento devia saber». Não sou contra, mas penso que há limites. Há dias saiu uma notícia que coloca o nosso país entre os dez países que irão, nos próximos anos, registar o rápido desenvolvimento e, provavelmente, também o crescimento económico. Entre os dez, o nosso país figura no primeiríssimo lugar. O mais curioso é que esta notícia desagradou a muitos mercenários do que não abona ao país, a ponto de ridiculariza-la. Não fosse elaborada por uma instituição de credibilidade internacional inquestionável, estaríamos a ouvir que foi obra do G 40.  Acontece-me receber perguntas de alguns estudantes para tecer a minha consideração acerca do significado e sentido de tudo isto. Regularmente, digo-lhes o que se segue: «rapazes e raparigas, Moçambique encontra-se actualmente no pináculo da ambição mundial. É um momento solene para todos nós porque esta previsível subida do país acarreta uma enorme responsabilidade face ao futuro. Ao olhardes à vossa volta é provável que, além da satisfação de ser moçambicano, sintais também a ansiedade por receio de não estardes à altura da situação.

Mas este momento constitui uma brilhante oportunidade para o nosso envolvimento colectivo quanto ao que desejaríamos ser daqui em diante. Rejeitá-la, ignorá-la ou desperdiçá-la fará cair sobre nós graves acusações no futuro. É necessário que a constância de espírito, a persistência de intenções e uma grande simplicidade nas decisões ditem e orientem a conduta dos decisores na paz. Os nossos políticos têm de provar, e eu acredito que sim – que estão preparados para tão grande repto. Quando os moçambicanos tratam de situação particularmente muito grave, costuma escrever no cabeçalho das suas directivas as palavras «o futuro melhor». Ter alguma palavra ou expressão de esperança é uma prática sensata que conduz à clareza do pensamento. Em que, então, o rápido desenvolvimento e, provavelmente crescimento económico deverá ajudar a cada um dos moçambicanos? É, nem mais nem menos, a segurança alimentar, a assistência social, a liberdade e o progresso para todos os lares e famílias, para todos os homens e mulheres de todo o país. E aqui, refiro-me, em particular, à miríade de casa e pequenas cabanas nas quais os chefes de família lutam, no meio de todos os acidentes e dificuldades da vida, para proteger a mulher e os filhos das privações e educar a família no temor do Senhor ou segundo conceitos éticos que frequentemente desempenham um papel fundamental em suas vidas.

As descobertas de recursos naturais e de outro tipo de oportunidades não nos podem mover ao ódio contra os que estão à frente dos dossiers. As suas decisões visam, tenho a certeza, garantir a segurança destes inumeráveis lares que se encontram entre dois salteadores esfaimados: a fome e a pobreza. Todos nós conhecemos a aterradora perturbação em que mergulha uma família comum quando o flagelo da pobreza se abate sobre quem ganha o pão e os que lhe dão emprego. O terrível espectáculo da ruína familiar, com todas as suas glórias perdidas, ofusca-nos o olhar. Ao estar aqui, nesta noite tranquila, arrepio-me de pensar no que está a acontecer neste momento a centenas de pessoas da minha aldeia, e no que vai acontecer quando a fome se abater sobre ela. Não podemos olhar nos decisores das políticas públicas um empecilho a estabilidade económica como prova esta posição do país entre os dez. Eles têm sobre os ombros o dever supremo de proteger os lares do cidadão comum dos horrores e das misérias passadas, presentes e futuras. Quanto a isto, estamos todos de acordo. O nosso Governo conseguiu elevar o país ao patamar actual. É momento de impedir o ímpeto agressivo que elimine a motivação que moveu este Governo.

Assim, evitaremos que o homem comum veja-se confrontado com dificuldades às quais não consiga dar resposta ante tudo o que se apresente distorcido, quebrado ou mesmo espezinhado. Temos de garantir que o trabalho do Governo, este e futuros é frutífero, que as decisões que se tomam em favor do povo são uma realidade e não um simulacro; que se trata de um Governo para a acção e não para simples conversa fiada; que é um verdadeiro templo de progresso, cujas paredes serão um dia decoradas com os brasões de muitos partidos e organizações afins e não apenas o cimo da torre de Babel. Mas esta subida requere que nos certifiquemos de que o nosso  novo dia é construído sobre a pedra  firme e não sobre areias movediças ou num pântano. Qualquer moçambicano, se tiver olhos bem abertos, verá que o nosso caminho será difícil e longo, mas se nos mantivermos juntos, não duvido de que acabaremos por atingir o nosso objectivo comum. Gostava que isto tivesse sido feito ainda nesta geração e, estou sinceramente convencido de que mesmo sem esta geração será possível fazê-lo.

No entanto, rapazes e raparigas, o Governo estaria a cometer um erro e a ser imprudente se confiasse à esta oposição que tudo chumba, estando ela ainda na sua infância, os conhecimentos e experiências secretos relativos aos descobrimentos dos recursos e assinatura de contratos. Seria uma loucura criminosa larga-los à deriva num mundo tão agitado e com uma oposição desunida. Ninguém, em nenhum distrito, deixou de dormir descansado por estes conhecimentos e segredos de negócios necessários estarem actualmente, em grande parte, nas mãos do Governo. Este Governo é legítimo! Não acredito que tivéssemos podido dormir tao profundamente se as posições se invertessem e um partido qualquer tivesse temporariamente monopolizado estes terríveis agentes. O medo que inspira poderia, só por si, ter sido facilmente usado para impor decisões totalitárias ao país livre, com consequências terríveis de imaginar. Deus não quis que assim fosse, e temos pelo menos algum tempo para respirar e pôr a casa em ordem antes de nos confrontarmos com esse perigo. E nessa altura, se nos pouparmos a esforços, teremos uma superioridade tão grande que imporemos uma dissuasão eficaz na África Austral».

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Uma bússola para o colapso chamada Renamo

No Notícias de 24 de Setembro corrente, do Centro de Conferência Joaquim Chissano não saiu nenhum fumo branco. A Renamo voltou a insistir na imperiosa movimentação das forças de segurança estacionadas em Gorongosa e Vanduzi como condição para o seu líder aceitar deslocar-se a Maputo ao encontro com o presidente da República. Estamos assistir serenamente a um partido político dar ordens a um governo sobre onde e quando deve colocar as forças operacionais. Mas a Renamo não está só movida por forças motrizes internas e a sua insistência em impor a presença de observadores internacionais é prova inequívoca de estar ao serviço de poderes estranhos aos interesses nacionais. Não é a transparência! A Renamo confia mais nos estrangeiros do que em moçambicanos. Se, nopassado, praticamos o erro e lhe sofremos os prejuízos, saibamos ao menos aproveitar dele a lição: aceitar, sem salvaguarda suficiente, teses estrangeiras construídas para a defesa directa ou indirecta de interesses que não são os nossos  é preferir ao risco de morte na guerra a certeza do suicídio  na paz. Que os estrangeiros não nos entendam ou não lhes convenha entender-nos – vá!. Mas sabendo todos, de História certa e feita de experiências ainda a sangrarem, não ser hoje possível com a Renamo qualquer entendimento que não se dirija, a ritmo vertiginoso, para a destruição de Moçambique em seu património moral e material, já custa muito admitir que algum moçambicano possa pôr em causa a política do Governo, na medida em que ela defende, pela palavra e pelo sangue, a integridade da nação e a resolução dos problemas nacionais por moçambicanos.
 
Até porque, diz o mesmo Jornal, o Governo dá à Renamo a possibilidade de aumentar o número de integrantes do seu grupo negocial. Enquanto isto, informações que nos chegam do palco dos confrontos não dão margem para dúvida. A Renamo continua ela própria com o seu plano primordial dos tempos da glória: destruir e matar enquanto engana, aos ecráns, a opinião pública, de estar interessada no diálogo. O diálogo, como é agora moda dizer-se, só pode ser estabelecido, e é indispensável, acerca de problemas nacionais que comportem mais do que uma solução nacional. Mas não há diálogo sobre o «sim» e o «não» porque não pode transacionar-se o que é insusceptível de ser transacionado. Nós sabemos – e nisso o mundo inteiro está de acordo connosco – que qualquer negociação sobre a situação política actual recorrendo aos negociadores estrangeiros corresponderia fatalmente a aceitar que deixasse de ser moçambicana uma parte dos problemas moçambicanos. Os defensores da caducidade histórica da Renamo pretendem forçar a situação a fim de integrarem o Governo por vias não democráticas e assim, poderem reconhecer que, de facto, o governo moçambicano é inclusivo. Dai que o diálogo sobre a política que sustenta a solução de concessão unilateral, na diversidade das suas opiniões, só tenha viabilidade e sentido no plano em que os renamistas se vejam no poder e com reforma garantida.
 
Não sei de um só homem  que, forçado a reconhecer a brutalidade objectiva  da situação do caos a que as forças da Renamo meteram parte do solo pátrio, tenha a coragem de defender o negócio com os estrangeiros sobre a política nacional, para maior bem estar imediato do país e para aplauso pelo estrangeiro de um governo que, traindo a pátria, logo seria considerado o mais representativo de quantos governam o mundo livre. Por este preço não. Não conheço, aliás, governo de nação digna desse nome que precise de recorrer a prévio reconhecimento derrotista para defender a integridade do solo pátrio. Mas o levantamento do povo por Moçambique, o seu sofrimento por Moxungue, que mais expressivo e mais solene exemplo? A Renamo Sabota o progresso, ela sabota negociações e, por cima, sabota as vias para a construção dos caminhos para o entendimento. Só lhe não poderemos chamar «sabotagem» por ser ela o coro, a uma só voz, de todos os que lançam a culpa, no seu direito, ao governo. Todavia, aos que duvidaram, há poucos meses, da possibilidade de dominarmos o terrorismo da Renamo, a nação, virada ao futuro, responde hoje com a sua política de diálogo interno. Hoje, nós podemos dizer-lhes que, na hora incerta do Mundo, esta é a hora certa de Moçambique e para moçambicanos que recusam seguir a bússola do colapso sustentada pela Renamo.
 
Pedro MAHRIC