segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A Frelimo e o perigo dos neutros para as eleições de 2018


Houve momentos em que se purificavam as fileiras porque o golpe desferido de dentro é mais doloroso. Até hoje, eu não me convenço que a Frelimo perdeu, de facto, eleições na Beira, em Quelimane, em Nampula e no Gurue. Explico-me, historicamente. Depois dos atentados do 11 de Setembro de 2001, aquando da mobilização mundial para a luta contra o terrorismo, o então presidente dos Estados Unidos, G.W. Bush, disse: “ou estão connosco ou estão contra nós”. Em certos momentos da vida nacional há que ter atitudes claras. Os que se revoltam contra e os que se indignam em defesa da Frelimo, cheios de boas promessas, esperam que venham formar a seu lado os que com eles andaram muitas vezes em conciliábulos traiçoeiros. Aproximamo-nos das eleições e Dhakama já acenou com o seu beijo de traição. Para elas, uns lutarão na esperança de uma recompensa futura e outros o farão em defesa de alguma conquista passada. É o normal concurso que move as paixões para as causas políticas. Há um porém!

Sempre que a ordem pública é perturbada, aparece – a lavar as mãos como Pilatos – colocando-se fora da contenda, uma fauna especial que é, de todas as faunas que por essas ocasiões se manifestam, a mais antipática, por ser a mais calculista e a mais comodista. É a chamada NEUTRALIDADE dos que não se batem nem pró nem contra, para, no momento próprio, fazerem dominó para os dois lados! Em todas as contendas há neutrais. Houve-os já entre 1962-1974, 1976-1992 e em 2008. Classes que tinham por obrigação erguer-se em pé de guerra para a defesa do regime e organizações políticas que as mantinha e engordara ficaram quietas como ninhadas de ratos espavoridos, a ver em que as coisas davam. Liquidado o pomo do conflito que negociadores comandados por heróis à feição antiga, resolveram em Lusaka, em Roma e na Beira, batendo-se como leões em defesa da sua causa, os neutrais de então foram os primeiros a aderir, calculadamente. Declararam-se pro-frelimistas, pro-renamistas e pro-MDMistas. Da sua atitude sem classificação tiraram, esses elementos passivos, todos os proveitos, enquanto os verdadeiros sacrificados eram afastados. 

Se se tivessem batido pelo regime e organização que haviam jurado defender, talvez as revoluções teriam sido esmagadas na sua infância. Foi assim que entregamos BEIRA ao Simango, não por mérito deste mas pelo nosso pacifismo ante os neutrais. Logo, os verdadeiros vencedores tinham sido os que haviam ficado em casa, digerindo pacificamente, numa neutralidade benemérita, o rancho que nunca falta a quem tem tempo para evitar que lhe entre o esturro. Entre descerem a praça pública, para serem fieis a palavra dada em defesa da Frelimo, e ficarem comodamente, a esperar pelas frinchas das janelas, as fases da luta em que tinham prometido imiscuir-se, preferiram, sem remorso, envolver-se corajosamente no mistério das esfinges, para forçarem a vitória final a inclinar-se para um lado ou para outro. Hoje, são militantes fervorosos do galo. É histórico que algumas pessoas se revoltaram para restaurar o sistema político que haviam deixado cair e outros para se incrustarem uma vez mais no poder, donde por via dos seus erros, se não dos seus crimes, haviam sido expulsos. E os neutros apareceram sempre, como camaleões mudando de cor conforme as conveniências, como emboscados que não sabem qual o caminho que devem seguir – se o que leva a glória se o que pode conduzir a cadeia! 

Quantos estão em condições de mostrar a cara pela Frelimo, pela Renamo, pelo MDM e pelos demais partidos políticos? Aos poucos que ainda são visíveis, parabéns. O estranho é que, depois das eleições de 2018 veremos os heróis da neutralidade ou, se quisermos, os budistas da guerra, uma espécie de bonzos que nenhuma perturbação agita, sugarem as forças da nação, da verdadeira nação, daqueles que em tempo oportuno deram a cara. Serão eles, que ao final da jornada, reclamarão a inclusão, a democracia, os valores nobres. Hoje, são os primeiros a encolher os ombros se se lhes batem à porta, para lhes dizer que a hora de cumprirem os deveres que perante a organização assumiram chegou.  Foi a atitude que nos fez entregar Quelimane ao de Araújo, associado ao facto de que também não soubemos aproveitar o capital político daquele, quando Gruveta ainda era vivo. Os bonzos agitam-se, descruzam as pernas, erguem solenemente a cabeça, alongam os braços, espalmam as mãos, invocam a deusa NEUTRALIDADE e declaram que ninguém logrará obriga-los a mover-se, seja para combater os que pretendem derrubar o status quo, seja para obedecer a quem tem o direito de lhes dar ordens e de os fazer marchar para as primeiras linhas, onde a sua presença é precisa, para proteger a vida útil da sua organização, contra as investidas dos que pretendam destrui-la. Assistimos à este filme em Nampula. Amanhã, eles irão reclamar dos vencedores, quaisquer que eles sejam, o prémio que a sua indiferença conquistou: a inclusão.

Mas dentro deles há um pequeno grupo, o dos useiros e vezeiros. Chamemo-los de marombistas. Estes são habilidosos. Tendo-se comprometido a colaborar nas revoluções, faltam sempre, para a última hora seguirem a trajectória dos vencedores. Estão constantemente atiçando aos demais a optarem pelo caminho da guerra, da destruição, da desobediência, para, na hora dos tiros, se esconderem atrás dos smartphones. Esses são os verdadeiros culpados de todas as perturbações sediciosas que têm apunhalado a vida nacional nos últimos anos. São eles quem dão alento aos que pegam em armas e veem para a rua dar tiros à doida, matando os seus concidadãos como matariam perdizes e galos. Deixam que os ingénuos, os ambiciosos, os obcecados pela ânsia de governar e os desorientados pelas convulsões de estômagos, habituados a digerir raivosamente a Frelimo, vão para as barricadas e para as encruzilhadas dar largas aos seus instintos perversos. Depois, ou correm a vibrar-lhes o golpe de misericórdia, ou são os primeiros a aparecer, de escudela em riste, a reclamar o prémio da sua felonia. Eles pedem para tomar parte dos processos que não iniciaram e para os quais não emprestaram a coragem.  Que consideração merecem os neutrais, os bonzos, os amorfos, os indiferentes que por este modo ou facilitam a vitoria dos aventureiros de todas as categorias ou dificultam aos governos cônscios dos seus deveres a repressão imediata da desordem e o castigo exemplar dos desordeiros? Gentalha e que falta ao que deve ou que se compraz em alimentar as fogueiras revolucionárias, tomando todas as precauções para não ser envolvida pelas labaredas do incêndio, é por acaso digna da admiração, da estima, do agradecimento ou da confiança de alguém? Claro que não.

Diante de todos os opinion maker de todas as matizes ergueu-se uma barreira formidável, composta por quantos não hesitaram um momento no cumprimento honrado da palavra dada. Outros, que deviam fazer outro tanto, não deram acordo de si, senão para apregoar a sua neutralidade. Será justo que, depois da batalha, se meçam todos pela mesma bitola? Uns, sendo depositários da confiança da nação corresponderam integralmente a essa confiança. Outros, estando ligados a quem lhes paga por iguais compromissos, procuraram sofisma-los, remetendo-se a uma expectativa benévola, com a qual contaram para não ficarem de mal com ninguém e, sobretudo para não incorrerem no desagrado do poder que surgisse! Será de admitir que, em nome da inclusão, a uns e outros se conceda igual consideração? Não! É claro que a moral estaria ofendida. É essa moral que nos obriga a perguntar se quem tem cartão vermelho tem o direito de se recusar a cumprir o seu dever, só porque outros surgem a fazer o contrário daquilo para que os mantem! Esta anomalia dos neutros é duma gravidade excepcional.  A república tem de os olhar pela janela porque quem não for pela ordem nos momentos em que a ordem perigue é, com certeza, pela desordem, muito embora fique de braços cruzados, a ver em que as modas param. O manto da neutralidade terá que desaparecer porque bastas vezes se parece com a cobardia. E a Frelimo tem estado a pagar caro aquilo que não devia pagar.

O momento que passa não se presta a comédias para a Frelimo! Não estejamos dispostos a transigir com comediantes, qualquer que seja a sua categorização ou o seu disfarce. Todos os campos têm de ser extremados, definidos, perfeitamente delimitados. Para 2018, ou connosco ou contra nós. Cada membro tem que tomar posição cedo, para animar os militantes e mobilizar as massas para a nossa causa, que é justa e grande. A Frelimo esta a passar por uma dolorosa provação, tão grande e tão intensa, que se não fossem aqueles que no primeiro momento, leais e decididos, correram a defende-la, ninguém sabe o nesta altura teria acontecido. As forças estranhas a Grei estão a maltratar o povo, contando sempre com testas de ferro domésticos, com sanções sob alegação de dividas ocultas, na esperança de vê-lo a revoltar-se porque, segundo dizem em surdina, derrube-se a Frelimo primeiro que a ZANU, o MPLA e o ANC, baluartes do nacionalismo do sul do continente, cairão em dominó. Mesmo dividida, a oposição tem consciência do seu verdadeiro adversário e faz tudo para desacreditá-lo dentro e fora. Tenho dito. 

Eusébio A. P. Gwembe

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Discurso do Presidente da Turquia em Moçambique 24-01-2017


Naturalmente, estou feliz porque sou o primeiro Presidente da Turquia a vir a Moçambique e tenho a convicção de que o próximo processo seguirá um rumo muito diferente ao mais alto nível. Encontramo-nos com o Presidente Nyusi durante uma visita privada à Turquia em 2014 e tivemos uma reunião frutífera. Três anos passados, venho aqui como presidente. É meu maior desejo que esta visita histórica fortaleça as relações entre os dois países.
Vemos em Moçambique que pessoas de diferentes culturas, crenças e origens étnicas vivem em paz e tranquilidade sob o mesmo teto. Esta é uma realização tremenda no momento em que as tensões continentais estão subindo e os conflitos são experimentados. Enquanto houver unidade e solidariedade, o futuro de Moçambique será muito mais brilhante. Acredito que algumas forças ou dificuldades neste país são temporárias. De facto, Moçambique reflectiu os elementos do Desafio de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas no seu programa estratégico quinquenal. Continua os seus esforços para atingir os seus objectivos de 2030 e está determinado a construir um novo futuro com  pedras como refere no seu hino nacional. Nós, enquanto Turquia, continuaremos a estar com os nossos amigos moçambicanos neste processo. Moçambique deixou para trás os dias difíceis depois da sua independência, e eu acredito que é agora um país que cuida de um amanhã brilhante. Com a sua riqueza cultural e o grande potencial económico que acolhe, Moçambique tornou-se uma das nações estáveis ​​do continente africano.
Senhor Presidente, compartilhar convosco a visão do futuro foi uma oportunidade. Temos experiência em assuntos regionais e internacionais. Eu compartilhei minhas experiências nacionais e internacionais com o Sr. Presidente Nyusi, de cerca de 11 anos enquanto primeiro-ministro e, em seguida, de três anos na Presidência. Há problemas que enfrentamos, especialmente no campo econômico e tive a oportunidade de compartilhar "como pudemos superá-los, como chegamos aqui hoje". Eu compartilho especialmente meus pensamentos acerca do FMI, porque quando nós chegamos ao nosso mandato, nossa dívida ao FMI era $ 23.5 bilhões. Neste momento eu soube que Moçambique também tem cerca de US $ 1,5 bilhões em dívida. Uma vez que também vemos que há um curso de interesse contra a inflação, tivemos a oportunidade de compartilhar as medidas que tomamos nesta área e que medidas devem ser tomadas a este respeito.
Tenho que ser muito claro. Ministros relevantes fizeram discussões frutíferas uns com os outros e acredito nos benefícios de continuar essas negociações no futuro. E no período seguinte, nossos respectivos ministros assinaram acordos importantes, sobre vistos, economia e comércio, como há pouco vimos. Foram assinados seis acordos. Em breve nos reuniremos com os representantes do sector privado. E estamos em Moçambique com cerca de 150 representantes do sector privado.
Dentro de cada um deles há representantes: representantes dos investidores, do sector de construção e especialmente do sector de energia. Além de tudo isso, na verdade, no nosso país existem empresas que são respeitadas no campo da educação e no campo da saúde. Além do setor de construção, temos usinas hidrelétricas, usinas eólicas, usinas de energia solar, usinas térmicas. Tudo isto é feito com o investimento privado, e juntamente com este investimento em Moçambique, com a nossa parceria vamos tornar Moçambique e Turquia numa posição muito mais forte.

Acho que devemos fazer isso numa base win-win. Penso que podemos dar muitos passos de parceria  com empresários moçambicanos, tanto em Moçambique, tanto na Turquia, bem como em países terceiros. E estamos prontos para compartilhar nossas experiências nestas áreas com nossos irmãos africanos.
Além disso, expressei especialmente ao Sr. Presidente que a Agência Turca de Coordenação da Cooperação (TIKA em suma) queria abrir um escritório em Maputo. Penso que a nossa agência continuará a trabalhar com sucesso em todo o mundo, com base nas necessidades e em parceria com as autoridades de Moçambique.
Nós tomamos o cuidado de observar o princípio win-win para promover nossas relações e nossa parceria de negócios com base na igualdade de parceria e respeito mútuo. Esse entendimento nos permite estabelecer relações permanentes de amizades. O volume de comércio entre nossos países era de 103 milhões de dólares em Novembro de 2016, o que não é importante para nós, pois não o achamos suficiente. A primeira etapa do volume de comércio entre Moçambique e Turquia é de 250 milhões de dólares e na segunda fase este volume de comércio será de 500 milhões de dólares, que será adequado para ambos os países.
As nossas relações chegaram a um ponto diferente em 2011, quando a Turquia abriu uma embaixada em Maputo. No entanto, o nosso actual Moçambique tem agora de abrir a sua embaixada na Turquia e estamos prontos a dar qualquer tipo de apoio a este respeito. Se tivermos sucesso nisso, acredito que as relações entre nós chegarão a uma posição muito diferente com os esforços de nossos embaixadores.
Com o Sr. Presidente da República conversamos sobre a organização terrorista Fetullah que a 15 de Julho passado protagonizou tentativa de golpe de Estado no nosso país e queríamos especialmente apoiá-los a este respeito. Para alguns lugares de Moçambique, estamos em condições e conscientes disso, de como são colocadas nas forças armadas, de como esta organização se estabelece na polícia, de como é estabelecida nas instituições do Estado pelo mesmo princípio, que é comum em todos os quatro cantos do mundo. Este é um amigo, este e desejo de um amigo. Em relação a isto, em Moçambique, faço uma promessa de que os nossos amigos usam muito. Ao amigo faz-se (pertence) tudo.  Eu também falei confortavelmente com um amigo amigável. Juntos temos um dia difícil de superar, estamos prontos para tudo. Somos amigos de Moçambique mesmo em dia negro. Desejo que esta visita seja um marco na aliança de negócios a longo prazo. Precioso amigo, Nyusi, em vosso nome exprimo a minha sincera gratidão a todos os meus amigos moçambicanos. Obrigado.

Bugün gerek ikili gerekse heyetler arası yapmış olduğumuz görüşmelerle Türkiye-Mozambik, "bugüne kadar geldikleri nokta ve bundan sonra varacakları nokta ne olabilir" bunları görüşme fırsatını yakaladık.
Tabii, Mutluyum zira Türkiye'den ilk defa Mozambik'e bir Cumhurbaşkanı olarak ben geliyorum ve bundan sonraki sürecin üst düzeyde çok daha farklı yürüyeceği inancını taşıdığım. Cumhurbaşkanı Nyusi ile 2014 yılında özel bir ziyaret vesilesiyle Türkiye'de bulunduğu sırada bir araya gelmiş ve bir verimli görüşme yapmıştık. Üç yıl aradan sonra bu kez cumhurbaşkanı sıfatıyla geliyorum. Bu tarihî ziyaretin iki ülke münasebetlerini güçlendirmesi en büyük temennimdir.
 Mozambik, bağımsızlığını kazanmasının ardından yaşadığı zor günleri geride bırakmış, bundan sonra aydınlık yarınlara bakan bir ülke konumuna gelmiştir böyle inanıyorum. Kültürel zenginliği ve barındırdığı büyük ekonomik potansiyelle Mozambik, Afrika kıtasının istikrarlı ülkelerinden biri olmayı başarmıştır.
Mozambik'te farklı kültürlerden, inançlardan, etnik kökenden insanın aynı çatı altında barış ve huzur içerisinde yaşadığını görüyoruz.  Kıtada gerilimlerin arttığı, çatışmaların yaşandığı bir dönemde bu büyük bir kazanımdır. Birlik ve dayanışma süreci olduğu müddetçe Mozambik'in geleceği çok daha aydınlık olacaktır. Bu ülkenin içinde bulunduğu bazı güçlerin veyahut da güçlüklerin geçici olduğu kanaatindeyim. Nitekim Mozambik, Birleşmiş Milletler Sürdürülebilir Kalkınma Gündeminin unsurlarını beş yıllık stratejik programına yansıtmıştır. 2030 hedefleri doğrultusunda çabalarını sürdürmekte, Mozambik millî marşında olduğu gibi yeni bir geleceği taşlarını üst üste koyarak inşa etmekte kararlıdır. Biz de Türkiye olarak bu süreçte Mozambikli dostlarımızın yanında olmaya devam edeceğiz.
Sayın Başkanın, kendileri ile yaptığım görüşmede geleceği dahil vizyonu kendileri ile paylaşma fırsatım oldu. Bölgesel ve uluslararası konularda yaşadığımızın tecrübelerimiz var. Yaklaşık 11 yıllık başbakanlığım dönemi, ardından üç yıla kadar Cumhurbaşkanlığı dönemimde edindiğim ulusal, uluslararası tecrübelerimizi ben Sayın Nyusi ile paylaştım. Özellikle de ekonomi alanında yaşadığımız sıkıntılar vardı ve 'bunları nasıl aştık, bugünlere nasıl geldik' bunları paylaşma fırsatım oldu. Özellikle de IMF noktasındaki düşüncelerimi paylaştım, çünkü görevime geldiğimizde bizim IMF'ye borcumuz 23,5 milyar dolardı. Şu anda Mozambik'in de yaklaşık 1,5 milyar dolar borcu olduğunu öğrendim. Tabii bir faiz ve enflasyon sarmalının olduğunu da gördüğüm için bu konuda da nasıl biz buralardan sıyrıldık ve bu konuda ne gibi adımlar atılması lazım bunları da paylaşma fırsatımız oldu.
Tabii şunu çok açık net söylemek lazım. İlgili bakanların birbirleriyle verimli görüşmeler yaptılar ve bakanlarımızı bundan sonraki süreçte de bu görüşmelerin devam ettirilmelerinin faydasına inanıyorum. Ve bundan sonraki süreçte ilgili bakanlarımızın vize, ekonomi ve ticaret gibi bir çok farklı alanda önemli anlaşmalara az önce biliyorsunuz imza alalardı. altı anlaşmaya imza etti.
Biraz sonra, özel sektör temsilcileriyle bir araya geleceğiz. Ve 150 kadar özel sektör temsilcileriyle Mozambik'te. Bunların içerisinde her sektörden: yatırımcılar var, temsilciler var. İnşaat sektörler de var. Türizüm sektörler de var. özellikle enerji sektörler de var. Birimcim sektörler de var. Tümler yanında, eğitim alanında, sağlık alanında artık ardıllarıyla gerçekten ülkemizde önemli yere saygı olan firmalar var. İnşaat sektörünün ötesinde HES'ler, rüzgâr enerji santralleriyle, güneş enerjisiyle, hidroelektrik santrallerle, termik santrallerle temayüz etmiş firmalarımız var.  Bütün bunlarla özellikle Mozambik'te ne gibi yatırımlar yapılır ki, bu yatırımlarla beraber Mozambik’te Türkiye ile dayanışma içeresinde çok daha güçlü bir konulacağız?.
Bunu 'kazan-kazan esasına göre yapmalıyız' diye düşünüyorum. Onun için Mozambikli iş adamlarıyla, Türk iş adamlarının dayanışma içerisinde gerek Mozambik'te, gerek Türkiye'de, gerekse üçüncü ülkelerde birçok adımı dayanışma hâlinde atabiliriz, atmalıyız diye düşünüyorum. Ve bizler bu alanlardaki tecrübelerimizi Afrikalı kardeşlerimizle paylaşmaya hazırız. Bunun yanında Türk İşbirliği Koordinasyon Ajansı’nın (kısa adıyla TİKA) Maputo'da bir ofis açmak istediğini, Sayın Başkana özellikle ifade ettim. Zira ajansımızın, dünyanın dört bir yanında yürüttüğü başarılı çalışmaları, Mozambik'in ihtiyaçları temelinde ve Mozambik'in  makamlarla iş birliği hâlinde sürdüreceğine inanıyorum. İlişkilerimizi ve iş birliğimizi eşit ortaklık ve karşılıklı saygı kazan-kazan esasına göre ilerletmeye özen gösteriyoruz. Bu anlayış bize kalıcı ilişkiler ve dostluklar tesis etme imkânı veriyor. Ülkelerimiz arasındaki ticaret hacmi 2016 yılı Kasım ayı itibarıyla 103 milyon dolar, bizim aleyhimize önemli değil fakat biz, bunu yeterli bulmuyoruz. İlk etapta Mozambik-Türkiye arasındaki bu ticaret hacmini 250 milyon dolara, ikinci etapta ise bu ticaret hacmini 500 milyon dolara çıkarmamız inanıyorum ki her iki ülke için de isabetli olacaktır.
İlişkilerimiz 2011 yılında Türkiye'nin Maputo'da büyükelçilik açmasıyla farklı bir noktaya geldi. Fakat, bizim şu anda arzumuz Mozambik, Türkiye'de büyükelçiliğini açmalıdır ve biz bu konuda her türlü desteği vermeye hazırız. Bunu başardığımız takdirde inanıyorum ki aramızdaki ilişkiler büyükelçilerimizin gayretleriyle çok daha farklı bir konuma ulaşacaktır.
Sayın Cumhurbaşkanı ile ülkemizde 15 Temmuz gecesi darbe teşebbüsünde bulunan Fetullahçı Terör Örgütüyle mücadeleyi de konuştuk ve bu konuda kendilerinden özellikle desteklerini istedik. Zira Mozambik'te de belli yerlerde bunların nasıl ki bizde silahlı kuvvetlerine yerleşmişlerse, nasıl ki polis teşkilatımıza yerleşmişlerse, nasıl ki devletin kurumlarına yerleşmiş, sızmışlarsa aynı prensibi, dünyanın dört bir köşesinde yaygın olan bu örgüt, burada da yapacaktır, bunun farkında olması temennisinde bulundum. Bu bir dost, bir kardeş temennisidir.
Bununla ilgili olaraktan Mozambik’te dostlarımızın çok kullandığı bir söz ver. Dostu olan kişi her şeye sahiptir. Ben de dostu olan bir arkadaşımla bunları rahatlıkla konuştum. Birlikte zor günde aşacağımız konular var, biz her şeye hazırız ve biz Mozambik'in kara gün dostuyuz. Bu ziyaretinin uzun soluklu iş birliğinde bir dönüm noktası olmasını temenni ediyorum. Kıymetli dostum, Nyusi'nin şahsında tüm Mozambikli dostlarımıza şahsım ve heyetim adına kalbi şükranlarımı ifade ediyorum. Teşekkür ediyorum.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Partido do Progresso do Povo de Moçambique (PPPM)

Padimbe  Kamati: em defesa da Repüblica Federal de Moçambique
A sua existência foi anunciada em Lisboa, em 1991, por Padimbe Mohosa Kamati Andrea, Natural de Mueda, Kamati afirmou que o seu partido era anterior a Frelimo e que o fundara quando tinha 17 anos, em 1959. As consultas feitas mostram que em 1964 existia um partido PPPM (Partido dos Problemas do Povo de Moçambique), não ficando claro se seria o mesmo a que Kamati aludia. Ele esteve na Tanzânia, mais tarde, na Etiópia. Regressou a Moçambique e, daqui seguiu para a Rodésia tendo-se juntado ao primeiro núcleo que deu origem a RENAMO, por ele anunciada em 28 de Julho de 1977. Foi Vice de André Matsangaisa, cargo que ocupou por duas semanas antes de seguir para o Ghana, onde tentou criar uma empresa de Import&Export e daqui para Portugal. Justificando os motivos da nova rebelião armada, Kamati afirmara ao Jornal Diabo que "Nós, dissidentes da Frelimo, brancos, negros e mestiços, cientes do legítimo papel de futuros libertadores que representamos junto do povo moçambicano, chegamos a estar um mês, embrenhados no mato, auscultando a vontade e o apoio das tribos, vivendo com elas o dia-a-dia. A curto prazo, principalmente quanto tivermos concretizado o auxílio de potencias estrangeiras, dividiremos o território em dois. Na mesma entrevista afirmava que Samora iria saber o que é guerra civil, no fim daquele ano. Nos manuais de campanha para as eleições de 1994, ele aparece com título de Sociólogo. Afirmara ter estudado na Etiópia e nos EUA. Em Portugal criou uma empresa pessoal, a Kamati – Actividade Imobiliária, Lda. Dizia ter mais de 20.000 membros e apoiantes (confirmados nas eleições em que teve 24.208 votos). Na sede do Partido, em Maputo, dava-se aulas de Inglês e de informática para os membros do partido e havia suspeitas de estar a usar a instalação como escola particular. O seu revés veio quando um de seus membros, Miguel Mabote, saiu do PPPM para formar o Partido Trabalhista (PT). A filosofia política do Kamati era o federalismo, com base na divisão de províncias existentes em estados autónomos. Segundo ele, um governo PPPM daria prioridade ao desenvolvimento de agricultura, através de oferta de ferramentas, bombas de água e abertura de poços para os agricultores. Dizia que, caso ganhasse, iria promover os empréstimos bancários, construção de habitação de baixo custo e reabilitar e ampliar os hospitais e as escolas existentes. Em termos de política monetária, queria fazer escudo português convertível com Metical. Em termos da terra, propunha mudar a lei para que a terra só fosse dada por chefes tradicionais. Para controlar a corrupção, seria criado um tribunal especial. Kamati dizia que o federalismo tinha mais apoio no Sul do que no norte, onde havia muitos egos que, certamente, dificultariam a opção federalista.

Por

domingo, 8 de janeiro de 2017

Partido Federal de Moçambique (PAFEMO)

Mariano Pordina, um louco Federalista
O multipartidarismo trouxe a nu um fenómeno sociológico complexo. A maioria dos partidos políticos era formada por indivíduos do Norte do Save com reivindicações até então consideradas tabu. Uma breve leitura permite formular um juízo (discutível) segundo o qual, no final da guerra existia um sentimento de que “muitos na Renamo eram das províncias ao Norte do Save; que nos primeiros anos tinha recrutado mais homens nas áreas de línguas próximas do Shona, provavelmente porque era mais acessível aos recrutadores rodesianos, que existiam etnias "desprezadas[1]", que na administração era notória uma exclusão de grande parte das tribos e etnias. Nas visitas presidenciais e de outros quadros governamentais estes problemas foram sendo expostos. Por exemplo, o Jornal Savana, n° 8, 11 de Março de 1994 reportava que “Para defesa da sua dignidade e cultura. Os senas precisam de ter voz no governo”, tema repetido na edição 15º de 6 de Maio cujo título era “Em Cabo Delgado. Porque é que não há administradores macuas?” e edição 21º 10 de Junho com “O regionalismo é da Frelimo e não do povo”. Temia-se que no pós-conflito todos estes grupos “teriam histórias de discriminação na promoção educacional e militar[2] bem como na admissão as universidades”.
Contudo, essas alegações não reflectem uma realidade do tribalismo, mas uma realidade histórica, com marco em 1898, quando a capital do país foi transferida da Ilha de Moçambique, visto que os portugueses eram sempre fracos no sul o que permitiu que os missionários protestantes se estabelecessem lá e construíssem escolas e outras infraestruturas da civilização. Nestas condições “não era de admirar que os habitantes do Sul tivessem vantagem em obter posições burocráticas elevadas após a independência[3]”. Porém, em política, um projecto de sociedade deve ter em conta as realidades do momento. Querendo tirar vantagem, em resposta a estes sentimentos, o Partido Federal de Moçambique-DF reconhecia em seu manifesto a diversidade étnica através de um princípio federal.
O Partido Federal de Moçambique foi fundado em Fevereiro de 1990 por dissidentes da UNAMO e do PPPM[4]. Em 21 de Dezembro de 1991, o PAFEMO anunciou, em Maputo, a sua intenção de transformar as actuais províncias em estados autónomos[5], incluindo as águas territoriais. Se fosse eleito, o PAFEMO asseguraria que cada cidadão tivesse uma casa de tijolos. O presidente do partido, Mariano Janeiro Pordina, apresentou-se dizendo que se formou em medicina na União Soviética. Disse que tinha 5.000 membros dentro de Moçambique. A primeira conferência do PAFEMO, em maio de 1993, terminou com a expulsão de Pordina que em 1995 liderará a Frente Democrática Unida (FDU), uma das forças que se integrou na Renamo-UE.
O motivo da expulsão deveu-se, entre outros, ao facto de na véspera da conferência, ter surpreendido o resto da liderança ao declarar que era comandante de um exército federal moçambicano (EXEFEMO), até então desconhecido, com 2.000 homens armados. Disse que "A guerra não terminou em Moçambique, porque sem o federalismo não haverá democracia, e para conseguir o federalismo devemos lutar. Nossa política precisa de guerra e uma guerra em larga escala". O federalismo era visto como a solução ideal para uma melhor redistribuição de recursos (políticos e económicos) e inclusão dos grupos étnicos excluídos nas instâncias do poder[6].
Depois da Conferência, os seus pares trataram de fazer um desmentido, considerando “a afirmação de Pordina como uma mentira porque o PAFEMO era um partido pacífico”. A conferência aboliu o cargo de presidente, deixando o secretário-geral Manuel Joaquim Panganane como o alto funcionário de um partido ligeiramente rebatizado como PAFEMO-DF. Entre boatos sobre um exército inexistente[7], a esposa de Pordina foi citada dizendo que ela suspeitava que ele estava mentalmente doente[8]. Numa altura em que havia acusações mútuas sobre a violação do cessar-fogo entre o Governo e a Renamo, o Mediafax afirmava que Pordina procurou o apoio do ZUM (Zimbabwe Unity Movement), liderado por Edgar Tekere, tendo suspeitado de que seus homens estavam envolvidos em ataques perto da fronteira com o Zimbábue[9]. 
A Jornalista Teresa Lima, escrevia que “o líder de um dos partidos emergentes, o Partido federal de Moçambique (PAFEMO), veio a público, a semana passada, em Chimoio, província de Manica, anunciar que possuía um exército de dois mil homens para lutar pelo federalismo em Moçambique. Para janeiro Pordina, neste país as coisas só se conseguem pelo poder das armas. Na sequência destas declarações, Pordina foi suspenso do seu cargo. Isto não impediu que um numeroso grupo de moradores da cidade de Chimoio protestassem junto aa sua casa levando a que a polícia o colocasse sob proteção. Para muitos, o caso “Pordina” é visto como uma “brincadeira de mau gosto” a precisar de tratamento médico e não policial. Contudo, casos destes são sintomáticos da saúde política do País. Diante do caso, o Jornal lembrava que o Governo e o partido no poder continuavam remetidos ao seu permanente silêncio cumprindo a máxima “os cães ladram e a caravana passa[10]”.
O PAFEMO-DF solicitou o registro, mas foi recusado pelo Ministério da Justiça no início de setembro, com base em que seus estatutos violavam a constituição da República, promovendo divisões, constituindo-se no primeiro partido a ser rejeitado pelo Ministério da Justiça. Depois, mudou seu nome[11] para Partido Renovador Democrático (PRD)[12], desta vez com Maneca Daniel para a presidência mas sem muita publicidade. Ficou mais fraco quando um de seus membros, o ex-polícia Neves Serrano, formou PPLFCRM Partido do Progresso Liberal e Federal das Comunidades Religiosas de Moçambique, formação que a 9 de Agosto de 1993 deixou uma incógnita ao anunciar que o seu futuro candidato presidencial era “um multimilionário e inteligente”.



[1] MORGAN, Glenda “Violence in Mozambique: Towards an Understanding of Renamo” Journal of Modern African Studies 28 (4), December 1990:615
[2] FEARON, James and LAITIN, David, Random Narratives, Mozambique, Stanford University, 2005:10
[3] CHINGONO, Mark F. The State, Violence and Development: The Political Economy of War in Mozambique, 1975-1992, Aldershot, England: Ashgate, 1996:49
[4] AAVV. Baobab Notes, News from Mozamhique and Southern Afrira, Emerging political parties, JBG, October/November 1993:2
[5] HANLON, Joseph, Mozambique Peace Process Bulletin -- JanuQlY AWEPAA, Amsterdam, 1993:4
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